O Clube do Filme

Comprei essa semana um dos livros do momento. “O Clube do Filme”, de
David Gilmour. Não, não é o guitarrista e líder do Pink Floyd, e sim
um critico de cinema canadense, que a partir de uma experiência,
diríamos, bem original com seu filho resolveu lançá-la em livro.
Conheci pela Época, umas duas semanas atrás, topei com ele na livraria
e resolvi comprar pelo preço camarada. Só 25 realitos.

 O pai, ao ver que o filho andava desanimado com a escola, percebeu que
isso moldava o comportamento do moleque de uma forma não muito bacana.
Contrariado com as mentiras e com as atitudes dissimuladas de Jesse
(grande parte por sua aversão ao colégio e sistema de ensino) resolveu
fazer uma proposta: ele larga a escola, mas será obrigado a assistir 3
filmes por semana com seu pai.

 O que mais me chamou a atenção no livro foi o fator cinematográfico. A
lista é imensa e riquíssima. Rola Woody Allen e os diálogos de “Noivo
Neurótico, Noiva Nervosa”; Elia Kazan e seu “Sindicato de Ladroes”,
com o felomenal Marlon Brando; “Encurralado”, o primeiro filme de
Spielberg; “Scarface” com Al Pacino; “Instinto Selvagem” e a deliciosa
Sharon Stone… e mais uns 50 filmes.

 Num dos comentários sobre (sempre rola uma preleção onde se fala sobre
diretor, ator, história; rolam uns debates pós-filme também) conheci
uma curiosidade interessante sobre o mestre do suspense Hithcock.

 Há uma escadaria em “Interlúdio”, de 1946, com Ingrid Bergman e Cary
Grant. E em algumas cenas se passam por lá. Personagens sobem e descem
os degraus, mas no final, quando Ingrid e Cary precisam descer as
escadas rapidamente, o tempo gasto parece muito maior. Motivo: Alfred
colocou mais um lance, com o objetivo aumentar o suspense.

 Durante a temporada de filmes rolam várias outras situações em que o
pai, agora mais presente na vida do filho, tenta orientá-lo em
diversas outras questões, tão comuns e difíceis de lidar, quando você
é um adolescente.

 Ele chega a ser meio chato. Coisa de pai, eu sei. Digo isso porque o
moleque está apaixonado por uma garota, vietnamita, linda, e ao que
tudo indica, tão fatal como a Sharon de Instinto Selvagem. O pai do
garoto, para protegê-lo, tenta afastá-lo disso. Pô, sacanagem. Deixa o
menino se virar, se foder, foder e aprender sozinho.

 Fora a questão da Sharon Asiática, o livro tem sido (falta pouco pra
terminar) uma experiência interessante. Apesar de parecer meio
esquisito esse lance de largar a escola e ser educado através de
filmes, o processo se mostra interessante. O pai passa a conhecer
melhor o filho e participar ativamente de sua formação, e ao mesmo
tempo, ele percebe também o quão importante é a educação formal,
através de escolas, professores, livros.

 A disciplina, obrigação, a leitura de alguns livros que você nunca
leria na vida, não fosse o fator colégio ou academia.

 Por enquanto é isso. Quando eu terminar, talvez, volte e fale mais sobre.

 Te.

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