legenda #1 | meu primeiro pior pesadelo

My first worst nightmare

esse era o dia em que eu tava andando pela rua e ouvi um chamado, “ei, cara, chega aí”, eu fui, cheguei e dei um salto, um rato de aproximadamente 200 quilos, do tamanho de um cara bem gordo, com os olhos vermelhos, uma laranja na boca e um carrinho de plástico sem rodas e verde-limão na pata esquerda, que tava machucada, ele puxou com dificuldade uma poltrona com um manto felpudo e colocou um narguilè na mesa de centro, sentei e ele disse, “cara, não não aguento mais essa vida”, eu concordei com ele e dei uns conselhos, falei que não era pra se preocupar, que o avião ia partir nas próximas horas e que mesmo ele tendo medo de água, ia se dar bem no emprego, aí ele começou a chorar e vieram a esposa e filhos dele pra perto, falaram algumas coisas sem sentido, mas que eu aceitei na boa, família é família, né?,
ele ofereceu carne também, mas eu tinha que ir e disse que ficava pra próxima, ele insistiu, aí pra não fazer desfeita eu peguei um bocado e coloquei no bolso, disse que iria comer no caminho de volta, a filha mais nova dele começou a me lamber e eu fiquei todo sem jeito, ouvimos um estrondo vindo do outro lado da rua, ele correu, como correm com desenvoltura ratos com aproximadamente 200 quilos, eu fui atrás, antes de chegar já percebi a merda, o filho tentou brincar com um pardal que lhe arrancou a cabeça, “desgraça de pardais, são uma praga, vou ter que fazer outro filho hoje e amanhã eles vão se ver comigo”, eu fiquei calado, sou bobo de mexer com um rato desse tamanho?, voltamos, ele disse que ia no bar comprar algumas cervejas e que voltaria, eu esperei, depois de algum tempo, estranhei o silêncio da casa e entrei, casa grande pra caralho, mas era difícil entrar por causa dos galhos e da mata fechada, deitei e me arrastei pelo chão, uns 500 metros, mais ou menos, buracão, um cheiro de esgoto e fezes que era de matar, num certo ponto eu caí, era uma sala de uns 100 metros quadrados, sem janelas, mas bem organizada, sofás, tapetes e uma decoração de fazer inveja, segui pela casa, cozinha, quartos, num deles, o único, aliás, havia uma janela, entrei e ele tava vazio, cheguei mais perto e não conseguia ver nada, só luz, quando olhei pra trás a porta tinha sumido, eu estava preso, só conseguia ouvir uma voz, que vinha do outro lado da janela, “ei, cara, chega aí”.

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