bom sinal.

Dia desses, na ida pro trabalho, rolou uma parada DEVERAS interessante.

Como de PRAXE, pego o BUS para o trabalho as sete e meia da manhã. Hoje, diferentemente dos demais dias da minha vida, ele estava abarrotado. Alguns lugares vazios na frente e no corredor.

Prefiro as janelas.

Prossegui com a minha saga em encontrar uma vaga confortável. Pior que vaga de estacionamento, é encontrar vaga em ônibus lotado. Enfim, ao fim do corredor, descobri que aquele era o FIM DO CORREDOR.

Havia, então, um espaço entre uma jovem senhora, seu pimpolho e uma moça gordinha. A mocinha (mistura de moça com gordinha, neste contexto) lia um livro espírita ou similar. Quando estacionei ao seu lado, ela guardou sua espiritualidade na bolsa.

(Havia mais um espaço. Na verdade eram CINCO lugares, três pessoas e um garoto, que, muito sapeca, ocupava DOIS deles com seu imenso CHASSI DE GRILO.)

Me senti ACANHADO, um pouco pela ausência de espaço, um pouco pelo fato que EU seria um incômodo.

Eu acabava de matar uma GUIMBA de paiêro pouco antes de me ADENTRAR no carro. ENTONCES, todos sabem que CATINGA de cigarro é foda. (paiêro = CATINGAx10)

(Sempre me incomodo com a possibilidade de que eu posso incomodar alguém. Gosto disso.)

No chacoalhar caracteristico da traseira dos BUSES (similar a um ass shacking) seguimos viagem. Me transportei pralgum universo paralelo, com a ajuda do meu inseparável MP4. Fones, música. Enfim, paraíso.

Primeira parada: rodoviária. Embarcaram senhores. Um deles numa vibe USAINBOLTIANA de fazer inveja a qualquer RUNNER afro-descendente. Com toda a sabedoria de um MATUSALÉM contemporâneo, aproveitou a condição estática do veículo em questão, para realizar sua performance e evitar possíveis quedas.

O segundo senhor, a la dança da cadeira, pegou o primeiro lugar que viu. O terceiro, tomou de assalto o que era ocupado pela metade gigantesca do CHASSI DE GRILO – pimpolho muito sapeca, filho da jovem senhora introduzida aqui interiormente.

Rolou um OPA entre as partes. Eu e vovô.

No gostoso ASS SHACKING automotivo, seguimos viagem. Chassi, jovem senhora, vovô, eu e a gordinha com sua espiritualidade ENCLAUSURADA.

Na PRAXIS do transporte coletivo, rola uma pequeno campeonato para ver quem desce primeiro. Um empurra-empurra divertido, uma avalanche de gentilezas.

Com alguns lugares disponíveis, o vovô do OPA resmungou algumas coisas e tentou se ALOCAR numa posição geograficamente mais confortável. Levantou-se e foi em direção à terceira fila de cadeiras. Uma TIA DIRETORA de uma escola local, tomou a frente do vovô e sentou-se.

Percebi pitadas de INDIGNAÇÃO e ÓDIO nos olhos daquele homem.

Ainda de pé, ao lado do seu objetivo e eis que a TIA diretora OBSTRUI a passagem de nosso quase herói.

Vencendo todos os seus demônios, abaixou a cabeça e voltou à ESTACA ZERO.

Eis que senta, e me diz: “Só me restou voltar pra cá. Esse povo não liga pra velho mesmo. A gente é muito excluído, sabe?”. Respondi, compartilhando alguns de seus demônios, numa furiosa e explosiva raiva: “É, sei.” E ele: “Mas, quer saber? Nâo ligo. Ainda to muito esperto, ando pra todo lado. To com 75 e ainda por cima criei 10 filhos.” Eu: “Uai, nem parece! Tá bem, hein!!!” Ele: “Sabe o que eu mais me orgulho nisso tudo?” Eu: “Não.” Ele: “Criei 10 filhos, e nenhum deles NUNCA FUMOU!”. Eu: “Pois é, isso é muito bão!”

Depois disso ele ainda contou algumas histórias. Nada relevante.

Chegamos ao local de APEIO do nosso quase herói, quando ele se levantou e disse: “DEZ FILHOS e nenhum deles fuma e NUNCA FUMOU!”

Pensei nisso a viagem toda.

Acho que isso é um sinal, pensei.

É um sinal.

Desci.

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