_Oi, entra.
LONGO SILÊNCIO ENTRE OS DOIS. OLHARES DISTANTES. ELE, SEM SABER POR ONDE COMEÇAR A CONVERSA. ELA, SEM SABER POR ONDE COMEÇAR QUALQUER COISA. ELE, FRANCO, TENTA:
_Olha, não sou bom em confortar pessoas.
_Tudo bem. Eu não estou procurando conforto. Estou procurando por mim mesma. Preciso. É a única coisa que posso fazer agora. Se não conseguir…
_OUTRO LONGO SILÊNCIO. ELA SE LEVANTA E VAI ATÉ A JANELA. OLHAR DISTANTE. ELE CONTINUA SENTADO, OLHANDO PRO INTERIOR DA CASA, PRO VAZIO. ELE TENTA MAIS UMA VEZ:
_Já voltou ao trabalho?
_Não. Nem sei se consigo. Tudo desmoronou, caiu, não vejo sentido em mais nada. Voltar ao trabalho seria uma maneira de escapar de tudo. E eu não quero escapar. Quero ficar, sentir, mesmo que a dor seja insuportável. Talvez seja necessário.