terça, 11/09/01, 10h49.

A carne fervilhava ainda coberta. Num misto de despertar e sonho, Tobias esperava o momento em que algum pedaço do seu corpo iria se desmanchar. Não conseguia abrir os olhos. Não conseguia se mover. A certeza de que tinha acordado ainda não era certeza e ele deixava-se levar por aquelas estranhas sensações. Gotas de suor escorriam pelo seu corpo, e ele, que se imaginava ainda em sonho, sentia um certo prazer por cada uma delas. Visualizava cada poro seu se abrindo, para que aquelas pequeninas gotas refrescassem seu corpo. Sentia, à sua direita, o fedor do cinzeiro cheio. O quarto, inundado por roupas sujas, papéis e livros, submerso numa atmosfera úmida e azeda. Respirava com dificuldade. O ar, de tão denso, ardia em suas narinas e fazia doer seus pulmões. Após algum tempo, algo o fez perceber que estava acordado. Numa crise de tosse que durou cerca de meia hora, conseguiu abrir os olhos. Não foi o bastante para que se levantasse, e sim, apenas para perceber que ainda estava vivo.

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