2h17 da manhã, mais ou menos.

Era um desses bares grandões, no estilo disco 70′s, balcões, luzes coloridas, pista de dança com piso quadriculado – deve existir um nome específico pra esse tipo de piso, mas eu não sei qual é. Estávamos eu e mais quatro amigos. Todos muito bem vestidos com ternos e tudo. Dois deles com suas esposas. Bêbados, falávamos coisas engraçadas (me lembro de rir muito em vários momentos). As duas esposas se levantaram para irem ao banheiro. Elas voltaram rapidamente e pararam no meio da pista. Elegantíssimas, de vestido longo, as duas, levantaram os vestidos até o meio das coxas, curvaram o corpo de uma forma meio alienígena e mijaram ali mesmo no meio da pista. Mijaram muito. Muito mesmo. A urina jorrava como eu nunca tinha visto nessa vida. Paramos a conversa. A música parou. O bar parou. Todos olhavam pras duas, no meio da pista, mijando. Foram uns 3 minutos. Elas abaixaram os vestidos, voltaram pra mesa, a música e a dança recomeçaram. Antes que qualquer um de nós comentasse, uma delas disse: odeio essas filas imensas de banheiros femininos.

CORTA.

Eu saio do bar. Estou sozinho e vestido com uma roupa comum. Acho que jeans, jaqueta, tênis, sei lá, não me lembro bem. Eu não enxergo absolutamente nada. Breu total. Sigo tateando as paredes na esperança de encontrar a porta e voltar pro bar. Nada. Frio da porra. Vento forte pra caralho. Uns clarões me ajudam a visualizar o lugar em alguns momentos. A avenida é imensa. Alguns galpões e prédios. Tudo muito velho, úmido, acabado, sujo. Tenho dificuldades pra caminhar não só por não enxergar, mas também pela calçada irregular, cheia de buracos, poças de água.

CORTA.

Consigo seguir a avenida – imagino que seja a mesma – e chego na casa de um amigo. É um sobrado perto de um posto de gasolina. Na esquina tem um restaurante barato. Ele me vê, me chama e me convida pra tomar uma cerveja. A calçada é alta, meio metro mais ou menos. Eu subo, conversamos um pouco, agradeço a cerveja e digo que preciso ir. Pego minha bicileta e desço a avenida. Na verdade eu não me lembro de ter subido e nem de estar de bibicleta. Enfim, desço. Pedalo feito louco.

CORTA.

No primeiro cruzamento vejo um grupo de pessoas em pé na numa das esquinas, com vários cobertores nas mãos. Achei muito estranho, mas e daí? Segui. Quando chego no cruzamento, eles jogam os cobertores em mim. Eu caio. Não me lembro de machucar, mas a bicicleta ficou toda fodida. Eles se aproximam e me intimam: aê, passa esse moletom aê! Eu não me lembrava de estar de blusa, mas de qualquer forma me afastei, tirei a blusa e entreguei pra eles. Eles agradeceram muito gentilmente. Eu continuei caminhando.

CORTA.

Eram 2h17 da manhã, mais ou menos.

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