aleatoria


4
Jul 10

algeria.

Em alguns momentos, me vejo na cozinha de um casebre no deserto, fazendo um café, olhando para o horizonte, através da janela, para além daquele lugar. Na mesa, um rádio velho, pequeno, transmite um som baixo, abafado; eu bebo o café e continuo olhando para o horizonte, para o fim do dia, como se mais nada existiesse além daquela cozinha, daquele café, da luz que se esvai e daquela música, que me hipnotiza.

durante a audição deste disco.


5
May 10

2h17 da manhã, mais ou menos.

Era um desses bares grandões, no estilo disco 70′s, balcões, luzes coloridas, pista de dança com piso quadriculado – deve existir um nome específico pra esse tipo de piso, mas eu não sei qual é. Estávamos eu e mais quatro amigos. Todos muito bem vestidos com ternos e tudo. Dois deles com suas esposas. Bêbados, falávamos coisas engraçadas (me lembro de rir muito em vários momentos). As duas esposas se levantaram para irem ao banheiro. Elas voltaram rapidamente e pararam no meio da pista. Elegantíssimas, de vestido longo, as duas, levantaram os vestidos até o meio das coxas, curvaram o corpo de uma forma meio alienígena e mijaram ali mesmo no meio da pista. Mijaram muito. Muito mesmo. A urina jorrava como eu nunca tinha visto nessa vida. Paramos a conversa. A música parou. O bar parou. Todos olhavam pras duas, no meio da pista, mijando. Foram uns 3 minutos. Elas abaixaram os vestidos, voltaram pra mesa, a música e a dança recomeçaram. Antes que qualquer um de nós comentasse, uma delas disse: odeio essas filas imensas de banheiros femininos.

CORTA.

Eu saio do bar. Estou sozinho e vestido com uma roupa comum. Acho que jeans, jaqueta, tênis, sei lá, não me lembro bem. Eu não enxergo absolutamente nada. Breu total. Sigo tateando as paredes na esperança de encontrar a porta e voltar pro bar. Nada. Frio da porra. Vento forte pra caralho. Uns clarões me ajudam a visualizar o lugar em alguns momentos. A avenida é imensa. Alguns galpões e prédios. Tudo muito velho, úmido, acabado, sujo. Tenho dificuldades pra caminhar não só por não enxergar, mas também pela calçada irregular, cheia de buracos, poças de água.

CORTA.

Consigo seguir a avenida – imagino que seja a mesma – e chego na casa de um amigo. É um sobrado perto de um posto de gasolina. Na esquina tem um restaurante barato. Ele me vê, me chama e me convida pra tomar uma cerveja. A calçada é alta, meio metro mais ou menos. Eu subo, conversamos um pouco, agradeço a cerveja e digo que preciso ir. Pego minha bicileta e desço a avenida. Na verdade eu não me lembro de ter subido e nem de estar de bibicleta. Enfim, desço. Pedalo feito louco.

CORTA.

No primeiro cruzamento vejo um grupo de pessoas em pé na numa das esquinas, com vários cobertores nas mãos. Achei muito estranho, mas e daí? Segui. Quando chego no cruzamento, eles jogam os cobertores em mim. Eu caio. Não me lembro de machucar, mas a bicicleta ficou toda fodida. Eles se aproximam e me intimam: aê, passa esse moletom aê! Eu não me lembrava de estar de blusa, mas de qualquer forma me afastei, tirei a blusa e entreguei pra eles. Eles agradeceram muito gentilmente. Eu continuei caminhando.

CORTA.

Eram 2h17 da manhã, mais ou menos.


4
May 10

for the record.

Saí de casa com a analógica. Com tantos filmes em casa, porque usar sempre digital? Fui. Fotografei. Observei variações de luz, formas, cores e disparei com uma atenção toda especial. Fiz umas vinte e poucas fotos durante o dia. Com a digital, teria feito umas duzentas. Fiquei ansioso pra ver o resultado. Ver materializadas no papel todas aquelas imagens que ainda estavam na minha cabeça. Cheguei, deixei o filme no lab e quando voltei, me disseram que não havia nada no filme. Foi uma perda irreparável. Uma tristeza sem fim. No entanto, todas aquelas imagens ainda estão aqui, na minha cabeça. Pena que não posso compartilhar com vcs. Pena.

Saio de casa agora, e mais uma vez, levo a analógica.


7
Apr 10

deus, cervejas, camisas e felicidade.

Era 97, acho. 96, talvez? Não, não, era 97 mesmo. Sexta série. Isso. Não! Se era 97 era a sétima. Ok. Sétima série, numa sexta à noite. Eu e Ronaldo. Estudávamos juntos. Não na mesma sala. Ele era de outra sétima, mas nesta sexta matamos aula tomar umas cervejas. Estudar à noite aos dezesseis tem dessas coisas. Ninguém por perto, cara de quem já é maior de idade, aí já viu. Bora tomar uma hoje? Bora. Fomos pra Pça da Igreja Matriz no centro. O movimento na praça tava fraco, era cedo, umas 7 da noite, e resolvenos ficar dentro do bar. Beber no balcão. Eu sempre achei legal beber em balcão. Até hoje eu gosto de balcões de bares. Falamos sobre diversos assuntos. O Ronaldo, religioso que era, tentava me convencer que a felicidade dependia da crença em Deus. Eu disparei diversos argumentos contrários – como se alguém com 16 anos tem argumentos suficientes prum assunto desses. Debatemos durante um bom tempo. Depois de várias cervejas, enquanto ele ainda tentava me convencer, eu, sem ele ainda saber porque, comecei a rir descontroladamente. Ria feito um louco. Ri muito. Gargalhei. O pessoal do bar até estranhou. Ele fechou a cara, virou o copo. Pensou, talvez, que eu estivesse rindo da opiniões dele. Não era isso. Enquanto eu ainda recuperava o fôlego pra tentar contar o motivo do riso, ele encheu novamente o copo dele e virou. Encheu o meu também. Dei um baita gole e perguntei se ele tinha visto qual era a marca da camisa dele? Ele estranhou, olhou pra etiqueta e também começou a rir. DON ALGODON – ele falou de uma forma bizarra, por causa do riso. Eu repeti: DON ALGODON! Pois é, cara: DON AL-GO-DON!

Rimos muito. Muito. Bebemos muitas outras cervejas e não falamos mais de Deus. Só DON ALGODON.

DON ALGODON.

E só.


28
Feb 10

not even ganesh?.

probably not.

Daqui, ó.

Comprei essa semana “Deus, um delírio”, do Richard Dawkins. A menina da livraria, muito gentil, me ofereceu um marcador de livro com a seguinte citação: “o Senhor nos consola em todas as nossas tribulações (2 Cor., 1, 4).” Mais interessante ainda é que a livraria é especializada em títulos de auto-ajuda, espíritas e religiosos. Talvez o responsável pelas compras da livraria não tenha sacado muito bem do que se trata esse que comprei.


22
Feb 10

a quem interessar possa.

Atualização básica no meu currículo. Se tiver afim de saber o que ando fazendo, dá um pulo aqui.

Té!


11
Feb 10

totalitarismo.

tortura? masoquismo?
alegria pura, conformismo.


10
Feb 10

fa[mília]lha.

é pai de família e trabalha,
anda uma milha, retalha novilha, se humilha, em calha.
de volta pra sua ilha, família,
abraça a filha, depois
feito manilha, espalha o riso, gargalha.

é pai de família e canalha,
se atrapalha na trilha, se humilha, encalha.
o povo na rua, platéia, vibra e gargalha.
de volta pra sua ilha, zomba da mulher e filha,
depois se sente migalha.


10
Feb 10

terça, 11/09/01, 10h49.

A carne fervilhava ainda coberta. Num misto de despertar e sonho, Tobias esperava o momento em que algum pedaço do seu corpo iria se desmanchar. Não conseguia abrir os olhos. Não conseguia se mover. A certeza de que tinha acordado ainda não era certeza e ele deixava-se levar por aquelas estranhas sensações. Gotas de suor escorriam pelo seu corpo, e ele, que se imaginava ainda em sonho, sentia um certo prazer por cada uma delas. Visualizava cada poro seu se abrindo, para que aquelas pequeninas gotas refrescassem seu corpo. Sentia, à sua direita, o fedor do cinzeiro cheio. O quarto, inundado por roupas sujas, papéis e livros, submerso numa atmosfera úmida e azeda. Respirava com dificuldade. O ar, de tão denso, ardia em suas narinas e fazia doer seus pulmões. Após algum tempo, algo o fez perceber que estava acordado. Numa crise de tosse que durou cerca de meia hora, conseguiu abrir os olhos. Não foi o bastante para que se levantasse, e sim, apenas para perceber que ainda estava vivo.


9
Feb 10

vem. entra.

_Oi, entra.

LONGO SILÊNCIO ENTRE OS DOIS. OLHARES DISTANTES. ELE, SEM SABER POR ONDE COMEÇAR A CONVERSA. ELA, SEM SABER POR ONDE COMEÇAR QUALQUER COISA. ELE, FRANCO, TENTA:

_Olha, não sou bom em confortar pessoas.

_Tudo bem. Eu não estou procurando conforto. Estou procurando por mim mesma. Preciso. É a única coisa que posso fazer agora. Se não conseguir…

_OUTRO LONGO SILÊNCIO. ELA SE LEVANTA E VAI ATÉ A JANELA. OLHAR DISTANTE. ELE CONTINUA SENTADO, OLHANDO PRO INTERIOR DA CASA, PRO VAZIO. ELE TENTA MAIS UMA VEZ:

_Já voltou ao trabalho?

_Não. Nem sei se consigo. Tudo desmoronou, caiu, não vejo sentido em mais nada. Voltar ao trabalho seria uma maneira de escapar de tudo. E eu não quero escapar. Quero ficar, sentir, mesmo que a dor seja insuportável. Talvez seja necessário.


9
Feb 10

na garganta.

- Ei, pronde é que você vai, cara!
- Embora, ué! Não tá ouvindo pedirem socorro?
- Claro que tou, por isso mesmo que tou perguntando PRA ONDE É que você vai!
- Ahhhhh, tem dó. Não tem mais nada aqui. Vou procurar quem tá pedindo socorro pra ajudar.
- Tá, então continua.
- Ih, pararam de pedir socorro.
- Não pararam não! Volta lá onde que vc tava.
- Óh, a voz de novo.
- Te falei.
- Cara, não tem mais nada aqui.
- Claro que tem, presta atenção que você encontra.
- Ah, desisto.
- Velho, na garganta! Entra na garganta!
- Tá louco?!
- Vai lá.
- CARALHO. Que doideira!!!!


8
Feb 10

conclusão.

Quando as pessoas sabem pra onde ir, elas caminham; quando não sabem, correm.

Simples assim.


7
Feb 10

advertência.

O dia começou calmo e tranqüilo. O frio cortante, detalhe. O inverno já dava sinais de que viria para valer. João Augusto, a caminho da escola, se encolhia em seu moletom azul. Dentro da sala estava mais agradável que na rua ou pátio. João chegou, sentou-se. Já escolhera o alvo de hoje.

O garoto sempre tivera problemas na escola devido ao seu temperamento. Suspensões e castigos eram freqüentes. E naquela manhã calma e tranqüila não seria diferente.

Após uns 40 minutos de aula João se levantou, caminhou em direção à professora, que o olhava tentando imaginar o que o garoto aprontaria dessa vez. Não disse nada. O garoto parou ao seu lado e antes que ela dissesse qualquer coisa, pronunciou algo incompreensível à classe. Sacou uma arma. Apesar de determinado, o medo invadia-lhe a alma e o fazia tremer feito um louco. Atirou. Os alunos da primeira fila começaram a gritar.

O horror! O horror! Aquela manhã deixara de ser tão calma como havia sido momentos antes.

Tragédia decretada, polícia no local, jornais. Todos sedentos por explicações sobre o que acontecera. Enquanto isso, na secretaria, uma das funcionárias preparava mais um bilhete aos pais advertindo-os, de que da próxima vez, seu filho seria expulso do colégio.

Altamente influenciado por JEREMY, do Pearl Jam.


6
Feb 10

desobediente.

“o que eu descobri sangue, escorria pelas minhas mãos. eu não sabia o que estava acontecendo, mas o gosto era bom.”


4
Feb 10

bodas de aço.

João era o melhor lenhador de Santana. O melhor. “Eu simplesmente faço o meu trabalho” – dizia. Era um cara de poucas palavras. Chegava ao trabalho sempre antes do sol. Sentado ao pé de uma de suas futuras vítimas, observava o horizonte, como quem coordenasse a aurora todos os dias.

Durante um dia, entre um cigarro e outro, era capaz de derrubar 27 árvores. Seus colegas, no máximo 8. Nem ligava com a injustiça de ganhar o mesmo que os outros, ou até menos. Tinha esposa e 3 filhas. Tinha ambições também. Mas esquecia delas rapidamente quando lembrava das meninas em casa. O que tinha era suficiente para o sustento. Não arriscava quando o assunto era família. O tempo, passava.

Seu chefe também fora lenhador um dia. Agora, não mais. Só administrava. Admirava o trabalho de João. Muito. Observava todos os dias aquele homem. João era seu funcionário há mais de 10 anos.

Um dia pensou em premiar João de alguma forma. Grande parte de sua produção vinha do suor daquele lenhador. Nunca teve problemas com ele. Funcionário exemplar.

Véspera de aniversário dos 11 anos de João na fazenda. O chefe manda chamar o lenhador ao pequeno escritório, há uns 200 metros de onde ficavam os lenhadores. João estranhou o chamado. Nunca precisou ir ao escritório do chefe. “Será que fiz algo errado? Mas o que diabos poderia ser?” – pensava o preocupado João com as filhas na cabeça.

Ao entrar no escritório – um cômodo, mesa, duas cadeiras, um bebedouro pequeno e um armário – , encontrou seu chefe sentado em sua cadeira de chefe. Em cima da mesa uma caixa que preenchia metade dela. O chefe discursou sobre o quanto o trabalho de João era excelente, produtividade, empenho e dedicação nestes, agora, 11 anos de trabalho.

“Não deve ser nada demais. Quem sabe, um aumento! Um presente, talvez.” – João pensou, e sorriu aliviado.

O chefe continuou o seu discurso, sob o olhar atento e agora mais calmo de João para o pacote em cima da mesa. O chefe até perguntou se ele sabia qual eram as bodas que se faziam aos 11 anos de casamento. João ficou sem graça e disse que não entendia dessas coisas. O chefe contou a ele que eram bodas de aço, e que isso merecia um presente especial. Se levantou e entregou o pacote a João.

João sorriu novamente. Sentou-se e abriu a caixa. O presente: um machado novo.


3
Feb 10

bom sinal.

Dia desses, na ida pro trabalho, rolou uma parada DEVERAS interessante.

Como de PRAXE, pego o BUS para o trabalho as sete e meia da manhã. Hoje, diferentemente dos demais dias da minha vida, ele estava abarrotado. Alguns lugares vazios na frente e no corredor.

Prefiro as janelas.

Prossegui com a minha saga em encontrar uma vaga confortável. Pior que vaga de estacionamento, é encontrar vaga em ônibus lotado. Enfim, ao fim do corredor, descobri que aquele era o FIM DO CORREDOR.

Havia, então, um espaço entre uma jovem senhora, seu pimpolho e uma moça gordinha. A mocinha (mistura de moça com gordinha, neste contexto) lia um livro espírita ou similar. Quando estacionei ao seu lado, ela guardou sua espiritualidade na bolsa.

(Havia mais um espaço. Na verdade eram CINCO lugares, três pessoas e um garoto, que, muito sapeca, ocupava DOIS deles com seu imenso CHASSI DE GRILO.)

Me senti ACANHADO, um pouco pela ausência de espaço, um pouco pelo fato que EU seria um incômodo.

Eu acabava de matar uma GUIMBA de paiêro pouco antes de me ADENTRAR no carro. ENTONCES, todos sabem que CATINGA de cigarro é foda. (paiêro = CATINGAx10)

(Sempre me incomodo com a possibilidade de que eu posso incomodar alguém. Gosto disso.)

No chacoalhar caracteristico da traseira dos BUSES (similar a um ass shacking) seguimos viagem. Me transportei pralgum universo paralelo, com a ajuda do meu inseparável MP4. Fones, música. Enfim, paraíso.

Primeira parada: rodoviária. Embarcaram senhores. Um deles numa vibe USAINBOLTIANA de fazer inveja a qualquer RUNNER afro-descendente. Com toda a sabedoria de um MATUSALÉM contemporâneo, aproveitou a condição estática do veículo em questão, para realizar sua performance e evitar possíveis quedas.

O segundo senhor, a la dança da cadeira, pegou o primeiro lugar que viu. O terceiro, tomou de assalto o que era ocupado pela metade gigantesca do CHASSI DE GRILO – pimpolho muito sapeca, filho da jovem senhora introduzida aqui interiormente.

Rolou um OPA entre as partes. Eu e vovô.

No gostoso ASS SHACKING automotivo, seguimos viagem. Chassi, jovem senhora, vovô, eu e a gordinha com sua espiritualidade ENCLAUSURADA.

Na PRAXIS do transporte coletivo, rola uma pequeno campeonato para ver quem desce primeiro. Um empurra-empurra divertido, uma avalanche de gentilezas.

Com alguns lugares disponíveis, o vovô do OPA resmungou algumas coisas e tentou se ALOCAR numa posição geograficamente mais confortável. Levantou-se e foi em direção à terceira fila de cadeiras. Uma TIA DIRETORA de uma escola local, tomou a frente do vovô e sentou-se.

Percebi pitadas de INDIGNAÇÃO e ÓDIO nos olhos daquele homem.

Ainda de pé, ao lado do seu objetivo e eis que a TIA diretora OBSTRUI a passagem de nosso quase herói.

Vencendo todos os seus demônios, abaixou a cabeça e voltou à ESTACA ZERO.

Eis que senta, e me diz: “Só me restou voltar pra cá. Esse povo não liga pra velho mesmo. A gente é muito excluído, sabe?”. Respondi, compartilhando alguns de seus demônios, numa furiosa e explosiva raiva: “É, sei.” E ele: “Mas, quer saber? Nâo ligo. Ainda to muito esperto, ando pra todo lado. To com 75 e ainda por cima criei 10 filhos.” Eu: “Uai, nem parece! Tá bem, hein!!!” Ele: “Sabe o que eu mais me orgulho nisso tudo?” Eu: “Não.” Ele: “Criei 10 filhos, e nenhum deles NUNCA FUMOU!”. Eu: “Pois é, isso é muito bão!”

Depois disso ele ainda contou algumas histórias. Nada relevante.

Chegamos ao local de APEIO do nosso quase herói, quando ele se levantou e disse: “DEZ FILHOS e nenhum deles fuma e NUNCA FUMOU!”

Pensei nisso a viagem toda.

Acho que isso é um sinal, pensei.

É um sinal.

Desci.


2
Feb 10

apenas.

HOMEM-1 (50/60) CAMINHA PELA CALÇADA. BEM VESTIDO, TERNO, GRAVATA. RUA TIPICAMENTE METROPOLITANA, POUCO MOVIMENTADA. ALGUNS CARROS, POUCOS PEDRESTES. ATRAVESSA ALGUNS CRUZAMENTOS. CAMERA O FOCALIZA PELA FRENTE. ELE DIMINUI A VELOCIDADE DOS PASSOS E PÁRA. SE DEITA DE LADO, NO MEIO DA CALÇADA, COLOCANDO A CABEÇA SOB O BRAÇO DIREITO.

HOMEM-2 (30-40), BEM VESTIDO, CAMINHA PELA CALÇADA COM AS MÃOS NO BOLSO. NÃO PERCEBE O HOMEM DEITADO E CAI.

_Oh, meu Deus, me desculpe, eu não te vi aí no chão! Você está bem?
_Sim.
_O que aconteceu, você caiu?
_Não, eu estou bem. Por favor, apenas me deixe em paz.
_Você está bêbado?
_Não, eu não estou.
_Ei, então porque você está deitado no meio da calçada? Eu poderia caído e quebrado meu pescoço.
_…
_Olha, o que houve? Deixe me te ajudar a levantar.

HOMEM-2 SE ABAIXA E TOCA O BRAÇO DO HOMEM-1

_NÃO! Não me toque!

UM CASAL SE APROXIMA.

_Ei, qual o problema dele. Caiu?
_Não, ele não caiu.

CHEGAM VÁRIAS OUTRAS PESSOAS E FAZEM UM CÍRCULO EM VOLTA DO HOMEM NO CHÃO.

_Ele está machucado?
_NÃO! Todos vocês, por favor, me deixem sozinho.
_Ele deve ser louco. – DIZ UM DOS PRESENTES.
_Eu não sou louco. Apenas me deixem em paz.

HOMEM-2 se ABAIXA NOVAMENTE E PERGUNTA:

_Porque você está deitado no chão? Porque não diz pra gente o que aconteceu?
_Olha, eu não posso dizer o que aconteceu…isso não seria correto.


_Ele deve ser louco. – OUTRO DIZ.
_Não, eu não sou louco.

ESTACIONA UM POLICIAL.

_Olhem, um policial. Ei, oficial!

POLICIAL SE ABAIXA E PERGUNTA:

_Está tudo bem com o senhor?
_Olhe, está tudo bem, se vocês me deixarem em paz, deitado aqui.
_Creio que eu não posso deixar isso acontecer, senhor.

POLICIAL TENTA LEVANTAR O HOMEM, QUE REVIDA FURIOSO.

_Não encoste em mim!!!

HOMEM-2 SE ABAIXA NOVAMENTE E PERGUNTA:

_Porque você não nos diz porque está deitado aqui. Me diga!!!
_Você não quer saber o porquê. Por favor, acredite em mim.
_Você não percebe que nada disso faz sentido??? O quê, que todos nós vamos morrer? É por isso que você está deitado aqui???
_Não.
_Conte pra nós, pelo amor de DEUS!!!! – DIZ O OFICIAL.
_Vocês realmente querem saber porque estou deitado aqui?
_SIM!
_Vocês realmente querem saber?
_Ok, eu vou dizer pra vocês. Vou dizer porque eu estou deitado aqui… mas, Deus, me perdoe… e Deus nos ajude… porque você não sabe o que está perguntando.
_DIGA!!!!

TODOS FICAM APREENSIVOS E COM OS OLHARES ATENTOS AO QUE O HOMEM DIZ. CORTA SOM DAS FALAS E SE SOBREPOE TRILHA. CAMERA FOCALIZA OS LABIOS DO HOMEM QUE AGORA CONTA PORQUE ESTÁ ALI.

CAMERA SE VOLTA PRA CALÇADA. TODOS AGORA ESTÃO DEITADOS NA CALÇADA.

Exercício de roteirização da história paralela de JUST, do Radiohead. Interessante perceber a diferença entre contar uma história (neste formato, claro) e assistir uma.


1
Feb 10

week end.

nasceu numa segunda de manhã;
terça, foi pela primeira vez a escola;
na quarta, pro primeiro emprego;
quinta, teve seu primeiro filho;
numa sexta, conheceu seu primeiro amor;
no sábado, seu primeiro fracasso,
e no domingo, viu pela último vez o entardecer.


31
Jan 10

memórias aleatorias

Eu criei há algum tempo uma outra instância nesse domínio. A intenção era concentrar uns textos meus e separar um pouco as coisas. Mas, cheguei a conclusão de que é bobagem eu dividir as coisas assim. Melhor deixar tudo num lugar só.

Apesar de manter um blog por mais de dois anos, escrevi pouco. Eu “falava” muito, mas escrever mesmo, foi pouca coisa. Agora com o fim da facul e um pouco de tempo e memória disponível, quero voltar a treinar. Vou separar aqui o que era pra ir pra lá (e os que já estavam), na categoria aleatoria.

Neses período que não produzi nada, anotei algumas idéias pra desenvolver depois. Acho que tá na hora. Alguns dos que vou repostar aqui, serão editados. Vou reescrevê-los. Acho que é melhor maneira de aprender. Se você me conhece ou já leu algum, dê um desconto.

Uma das anotações dizem respeito a uma série de memórias, cada qual relacionada a uma canção. Aos poucos elas vão aparecendo aqui.

Além disso, o blog continua com algumas bizarrices e bacanices que encontro por aí.

É isso aí.


31
Oct 09

para fins de registro, apenas.

fragmento de uma conversa que percebi interessante e pensei “pq não registrar?”: “leia primeiro o último conto do segundo livro.”

lógico, não?


24
Oct 09

4×1: primaverãoutoninverno


24
Oct 09

talvez.

Não, não, não; não, não e não; de jeito nenhum, você é louco?; não e ponto; sai fora, nem fudendo, nada a ver, sem chance, quem sabe outro dia, ok?; hoje não dá; agora não; nem a pau; ê, colé, tá estranhando?; ah, pede pro fulano aê, ó; agora tou ocupado; me liga semana que vem pra gente ver isso aí; já falei que não, não e não; N-A-O til, não; ahahahahahaha, pensa em uma pessoa fazendo isso pra vc; quantas vezes eu vou ter que te dizer que não dá; putz, foi mal, cara, hoje não dá mesmo; não; se eu já disse não, porque você insiste?; no; é…. não; negativo;

Sim, sem problemas.