Esse foi o dia em que eu tava com meu pai na rodoviária. Eram umas quatro da tarde, quinta-feira. Faltavam uns 20 minutos pro nosso ônibus sair e, pra matar esse tempo, resolvemos fumar. Por causa dessas leis anti-fumo, tivemos que ir pra berada do terminal, perto do estacionamento, pra satisfazer nosso vício. Entre um trago e outro, olhávamos a movimentação das pessoas, indo e vindo, embarcando e desembarcando, quando ele me pergunta: “Esse povo num trabalha não?”. Eu, rindo, respondi: “Uai, pai, acho que não né?”. Ele emenda: “Numa hora dessas, esse povo fica aí, viajando, indo pra lá e pra cá… esquisito demais. Parece que tá todo mundo à toa.”. Eu pensei em dizer algo que explicasse isso, mas preferi continuar rindo e concordar com ele. “É, pai. Muito esquisito. Eu nunca tinha pensado nisso.” Ele tbem começou a rir e fomos embora.