Presente da Princesa da Dinamarca. Muito gentil, ela.
legenda
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Feb 10
legenda #3 | vinte e sete.
traga a draga que estraga a praga que draga.
Em um ponto qualquer na linha do tempo, entre 14h e 18h30.
14h
Depois de cinco dias remando, encontraram um local bacana pra descansar. O rio, bem largo em quase toda a sua extensão, se tornou mais estreito e cheio de pedras. Carregaram a canoa pela margem uns 200 metros, pra evitar a descida por entre as pedras, o que poderia virar ou quebrar a canoa. Estavam cansados demais pra encararem uma situação dessas. Avistaram por entre os galhos, um espécie de prainha. Areia branca e um lago imenso. Chegaram. Encostaram a canoa debaixo de algumas árvores e se deitaram pra descansar. Eram três no total. Dois dormiram. Um ficou acordado, vigiando.
14h30
Era o primeiro dia de Jorge na mata. Seu pai já tinha preparado todo o material pra caça. O sol rachava mamonas e Jorge corria feito louco pelo pasto da fazenda. Mirava pra todos os lados a espingarda que ganhou de presente. “Jorge! Tá na hora! Pega suas coisas, se ajeita aí que vamo embora caçar!”. Em alguns minutos o garoto já tinha voltado e se preparado. Ficou esperando o pai, que logo saiu. Pegaram os cavalos e partiram.
14h45
Silvia gritava sem parar. O marido, coitado, aguentava calado enquanto se perdia no meio de tanta tralha que tinham que levar pra prainha. “Paiê”, gritava todos os filhos ao mesmo tempo, enquanto ele ficava de rabo de olho na filha mais velha, se enroscando só de shortinho no namorado com cara de malandro. “Putaquepariu, vou ter que levar esse vagabundo com a gente e ainda deve comer minha filha no meio do mato”. “Anda logo, seu monte, ainda não pegou tudo” – Silvia continuava gritando. Enfim, terminou de colocar tudo no carro e seguiram pro rio. Era domingo.
15h02
Os cinco dias de esforço, remando pelo rio, deixaram os três completamente apagados na mata. Um deles ameaçou acordar, mas apenas se virou. O lugar era perfeito pro descanso. Qualquer lugar seria perfeito, depois de cinco dias como aqueles.
15h08
Primeira vez que foram no rio. Os três, escondidos dos pais, andaram quase uma hora de bicicleta pra nadar. Um deles morrendo de medo que os pais descobrissem. Eles iriam chegar em casa na volta quase na hora em que seus pais chegariam também. Só pensava nisso. Os outros, só pensavam em nadar. Preocupado, nem nadou. Preferiu ficar fumando debaixo da árvore e olhando os garotos nadarem. Morria de inveja dos saltos que eles davam de cima da árvore. Ele tinha medo da draga que ficava lá perto. Dizem que um garoto foi sugado por ela.
15h10
“Ei, o que é isso?”, “Não sei, mas se parece com algum tipo de macaco, sei lá!”, “Por Deus!, fede mais que lobo morto!!!”, “Num tão mortos não, cara! Tão vivos”, “O que a gente faz? Mata logo?”, “Não, não!”, “Oh, cuidado, um deles tá se mexendo”, “Acho melhor a gente esconder no topo das árvores e ficar olhando.”, “Vamos ver o que eles fazem.”, “Qualquer coisa, a gente mata!”, “Vamo logo que não aguento mais essa catinga!”, “Tá!”.
15h25
Duas picapes encostaram perto da prainha. O sol tava foda. Duas garotas de biquíni numa e mais três na hora. Saltaram antes mesmo das picapes pararem. No som dos carros: funk carioca no talo. Elas correram pro rio. Ficaram lá, as três pulando n’água, até que resolveram tirar as blusas e fazer topless. Galera que estava no bar pirou. Os que estava no volante desceram, cada um segurando uma mina pela cintura. Pegaram todas no caminho pro rio. Gostosíssimas. Subiram e foram pro bar comprar cerveja. Na volta, se sentaram debaixo de umas árvores.
16h13
“Ah, que é isso! Cês tão com frescura. Vambora logo pra lá. Hoje é terça-feira e numa hora dessas num tem ninguém lá”, “Cê num vale nada mesmo, hein.”, “Vamo lá, Flávia, te empresto um short e a gente vai nadar um pouco”, “Éh, eu ainda compro umas cervas pra levar, lá pelas 6 horas a gente volta. Horário de verão, vai tá cedo ainda.”, “Beleza, pega o short lá.”
18h20
Eles tinham passado o dia na beira do rio. Levaram carne e cervejas. Um deles levou um beckzinho. Cerva acabou, a carne tbem. Ainda curtiam a doideira do beck. Ficavam lá, só curtindo o barulho da água nas pedras. O lugar já tava quase vazio. Um deles, pra quebrar o silêncio: “cara, dizem que já morreu muita gente aqui”, “é, já ouvi falar umas paradas assim mesmo”, “dia desses eu tava conversando com um tiozinho que mora aqui perto. Ele disse que foram 27, até hoje.”, “Caralho, cara. Gente pra caralho.”, “vamo vazar daqui que essa parada me deu foi medo.”, “é, vamo”.
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Feb 10
legenda #2 | Olhar de Victória
a pequena negra prega peça,
não nega a raça e ri à beça.
com alegria de encher balão,
não há nada que ela não peça.
o pai pega e diz que não.
ela faz bico, chora, e barulha feito trovão,
bate o pé na terra, berra e faz buraco no chão.
o pai de novo nega e faz cara turrão.
os pequenos olhos se molham,
o pai vê e amolece o coração,
pensa de novo, resmunga,
não consegue dizer não.
a eterna briga entre pai e filha
termina com o ar de Victória,
e agora, com o olho que brilha,
da pequena negra que prega peça…
esses versos são antigos. Eu não tinha previsto isso pro legenda, como fiz pro aleatoria. Acho que é o único que tem texto pronto. Se você já leu, dê um desconto. Vou providenciar outro rapidão.
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Feb 10
legenda #1 | meu primeiro pior pesadelo

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esse era o dia em que eu tava andando pela rua e ouvi um chamado, “ei, cara, chega aí”, eu fui, cheguei e dei um salto, um rato de aproximadamente 200 quilos, do tamanho de um cara bem gordo, com os olhos vermelhos, uma laranja na boca e um carrinho de plástico sem rodas e verde-limão na pata esquerda, que tava machucada, ele puxou com dificuldade uma poltrona com um manto felpudo e colocou um narguilè na mesa de centro, sentei e ele disse, “cara, não não aguento mais essa vida”, eu concordei com ele e dei uns conselhos, falei que não era pra se preocupar, que o avião ia partir nas próximas horas e que mesmo ele tendo medo de água, ia se dar bem no emprego, aí ele começou a chorar e vieram a esposa e filhos dele pra perto, falaram algumas coisas sem sentido, mas que eu aceitei na boa, família é família, né?,
ele ofereceu carne também, mas eu tinha que ir e disse que ficava pra próxima, ele insistiu, aí pra não fazer desfeita eu peguei um bocado e coloquei no bolso, disse que iria comer no caminho de volta, a filha mais nova dele começou a me lamber e eu fiquei todo sem jeito, ouvimos um estrondo vindo do outro lado da rua, ele correu, como correm com desenvoltura ratos com aproximadamente 200 quilos, eu fui atrás, antes de chegar já percebi a merda, o filho tentou brincar com um pardal que lhe arrancou a cabeça, “desgraça de pardais, são uma praga, vou ter que fazer outro filho hoje e amanhã eles vão se ver comigo”, eu fiquei calado, sou bobo de mexer com um rato desse tamanho?, voltamos, ele disse que ia no bar comprar algumas cervejas e que voltaria, eu esperei, depois de algum tempo, estranhei o silêncio da casa e entrei, casa grande pra caralho, mas era difícil entrar por causa dos galhos e da mata fechada, deitei e me arrastei pelo chão, uns 500 metros, mais ou menos, buracão, um cheiro de esgoto e fezes que era de matar, num certo ponto eu caí, era uma sala de uns 100 metros quadrados, sem janelas, mas bem organizada, sofás, tapetes e uma decoração de fazer inveja, segui pela casa, cozinha, quartos, num deles, o único, aliás, havia uma janela, entrei e ele tava vazio, cheguei mais perto e não conseguia ver nada, só luz, quando olhei pra trás a porta tinha sumido, eu estava preso, só conseguia ouvir uma voz, que vinha do outro lado da janela, “ei, cara, chega aí”.
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Feb 10
legenda | regras
Uma das minhas poucas resoluções de final de ano, foi escrever mais. Você pode perceber isso com o aparecimento do aleatoria e do memórias, que implemenei aqui essa semana. O primeiro, uma coletânea de textos antigos, reescritos ou não e vistos por mim como aproveitáveis, o segundo, uma coleta de memórias relacionadas a músicas que fizeram parte da minha vida.
Agora, pensei em fazer mais um tópico pra preencher isso aqui com conteúdo.
Há um bom tempo que não tenho exercitado meu olhar, fotograficamente falando. A última vez foi apenas para fins de registro, numa viagem que fiz no começo do ano. Tenho sentido falta de admirar e fotografar sem fins lucrativos ou de registro.
Tempo não tem sido problema, e sim, ocasiões e ânimo. mea maxima culpa. Pra sanar parte disso e exercitar a escrita, pensei em começar uma coleta chamada legenda.
Vai funcionar assim:
1) uma foto e um pequeno texto sobre.
2) Fictício ou não, ainda não sei.
Tenho mais de 1800 fotos no Flickr, e algumas reveladas aqui comigo que não fazem parte da minha galeria. Não pretendo escrever sobre todas, e sim das que mais me inspirarem a escrever.
Acho que vai ficar legal.



