memórias


21
Feb 10

interlúdio.

Comecei a publicar aqui, há algumas semanas, uma série de memórias relacionadas à música. Publiquei três. Um sobre minhas impressões musicais de 1989 e outros dois sobre 90 e 91. Eu pretendia escrever pelo menos UM por semana. Pretendia.

O trabalho na FIRMA tem consumido parte considerável do meu tempo. Fato que também consome, consideralvelmente, minha disposição em escrevê-las, no formato que foram escritas: UM TEXTO sobre UM ANO. Eles ficaram longos e as histórias não estavam com a consistência que imaginei. A culpa, claro, não é do formato, é minha. Texto longo demanda mais tempo, atenção, etc. Tempo que agora não tenho.

Decidi que eles agora serão avulsos e não mais na ordem cronológica inicial. Agora é um texto pra cada acontecimento/lembrança. Menores, mais fáceis de escrever e de ler.

Talvez fiquem até mais legais.

Os outros continuam aqui. Talvez até role algo solto sobre estas épocas já publicadas e que eu, por alguma razão desconhecida do universo, tenha esquecido.


7
Feb 10

memórias #3 | mudanças, mulheres, bebidas e a incrível coleção de fitas cassete do meu irmão | 1991

Este post faz parte de uma série chamada memórias. Pra entender, clique aqui. Para ler todos, aqui.

direto do túnel do tempo

Esta foto tem um detalhe que acho que ninguém, além de mim, percebe. A camiseta tem uma estampa escrita SKATE. Resultado das influências skatísticas que tive anos anteriores, com as revistas e decalques de caveiras. Tudo bem que a estampa dessa camiseta era coisa de criança, com um boneco de palito se equilibrando em outros palitos, no que supostamente seria um skate.

Eu ADORAVA essa camisa.

Como no ano anterior, as influências musicais não foram consideráveis. Mas tive uns primeiros contatos que fizeram MUY bem pra mim. Apresentações similares aos Beatles e Rolling Stones, mas agora além dos nomes, eu também pude ouvir.

Não morávamos mais de favor. MUDANÇA foi a palavra de ordem nesse ano. Mudamos pra casa própria, no bairro Planalto. Eu fui pra quarta série. Tinha de pegar ônibus todas as manhãs para a longa jornada ao centro da cidade. Adorava esse ônibus. Antigões e com cinzeiros de metal em forma de círculo nos braços da poltrona. Tinha um pequeno pino pra você abrir, e geralmente eles estava cheios de tocos e cinzas.

Ainda no ônibus, tinham umas três minas, que pra idade que tínhamos eram bem gostosas. Galera ficava passando a mão nelas a viagem toda. Sempre na volta. Eu lembro do sol das onze batendo na bunda de uma delas. IMAGEM CLARA.

Continue reading →


7
Feb 10

memórias #2 | o papa é pop, conversas com deus e renúncias amorosas | 1990

Este post faz parte de uma série chamada memórias. Pra entender, clique aqui. Para ler todos, aqui.

Esse texto era pra tratar de 1992. Prometi isso no último. 90/91 não tiveram um apelo musical considerável pra mim. Eu ainda habitava territórios perigosos. Ou melhor, os territórios perigosos ainda me sugavam, como um buraco negro que engole tudo ao seu redor. Mas, eu escapei.

Rá!

Enfim, achei estranho pular dois anos numa série como essa. Resolvi preencher essa lacuna na linha do tempo. Escarafunchar algumas coisas relacionadas ao período que ainda estão arquivadas aqui.

Eram meus nove anos. Eu ainda morava na mesma casinha, no centro, de favor. A mudança mais drástica que ocorreu nesse período foi a transição da SEGUNDA para a TERCEIRA série. Isso, pra mim, era algo extraordinário. As reminiscências musicais desta época devem ser as mesmas de anos anteriores. Eu ainda me espelhava em meu irmão, com os lances de rebeldia e pau no cu do mundo. Lances ainda muito RESTRITOS pra mim. Afinal, eu era um garoto de nove anos.

Continue reading →


2
Feb 10

memórias #1 | Carta aos missionários, astronauta de mármore, uns e outros e stay na capital inicial | 1989.

Eu tinha oito anos, mais ou menos – sete, talvez. Não lembro exatamente o mês correspondente. Minha família havia se mudado há pouco pra cá. Pagamos aluguel durante uns três anos. Situação difícil – não só pra nós, mas pra todo mundo. Finalzinho do governo Sarney, sacumé. Nesse período ficamos numa casa emprestada. “A gente mora de favor” – eu sempre ouvia, não lembro de quem, mas ouvia. Casa antiga. Paredes com tijolinhos fixados por barro. O reboco tão podre que se soltou com uma bolada. Mas pra mim, tudo bem. Crianças não se preocupam com políticas econômicas, emprego, desvalorização da moeda ou inflação. Pelo menos não se preocupavam.

Esse início é só pra ilustrar a situação. Nessa época, as únicas formas de eu ouvir qualquer música eram pela tevê e por um radinho velho que tínhamos. Nem discos, nem fitas, nem nada.

Continue reading →


2
Feb 10

memórias | regras

Dia desses propus a mim mesmo de escrever uma série de memórias relacionadas à música. Pra não virar bagunça, criei um método pra desenvolver toda essa parada.

Será mais ou menos o seguinte:

1) O ambiente e as situações que eu me lembro, através da audição das músicas.

2) A ordem provavelmente será cronológica e tem início em 1989.

3) Personagens poderão aparecer, outros serem suprimidos.

4) São memórias e estão sujeitas a falhas, ou alguma edição da minha parte. Afinal, todo tipo de lembrança está sujeita a falha/edição, sempre.

5) Não há periodicidade. Quando rolar, rolou. Ok?

6) Vou disponibilizar sempre os vídeos do YT para audição. A partir dos anos 90, a quantidade de músicas vai aumentar consideravelmente. Então, vão rolar algumas coletas por aqui.

7) Desconsidere esse tópico.

8) O estilo dos texto vai variar. Se perceber algum tipo de bizarrice no meio, alguma pontuação trocada, pensamentos soltos, idas e vindas, mudança brusca de ambiente, etc, relaxe.

9) Esse lance não tem pretensão de fazer qualquer típo de crítica musical. Algumas músicas que eu adorava na infância/adolescência, hoje acho um lixo. Mas, como elas se situam na época em que eu curtia ou na qual eu conheci, fazer o quê?, paciência.

Valeu?

Té mais