pra ler


2
Oct 11

voyeurismo e exibicionismo.

ENTRE 1971 E 1979, o fotógrafo japonês Kohei Yoshiyuki fotografou a atividade noturna em três parques de Tóquio: Shinjuku, Yoyogi e Ayoama. As fotos mais perturbadoras expõem casais heterossexuais entrelaçados em encontros furtivos, jogados na grama ou atrás de arbustos, enquanto uma matilha de voyeurs os espreita e cerca, como hienas ao redor de animais feridos, aguardando o melhor momento para o ataque.

O trecho acima retirei do ensaio “Fome de ver” de Bernardo Carvalho, sobre voyeurismo e exibicionismo, publicado na Ilustríssima e disponível aqui.

A série completa você pode ver aqui.

O ensaio e a série de imagens foram publicadas na Zum – Revista de Fotografia do IMS. Leia mais sobre aqui.


15
Sep 11

a paralisação da br 262.

“As mudanças só acontecem quando o povo se organiza, quando o povo se mobiliza”, disse o Stédile num discurso sampleado em Verbos à Flor da Pele, d’O F.UR.T.O.

Na foto, moradores de diversos bairros de Nova Serrana-MG fecharam a BR 262 em protesto à falta de segurança no trevo da cidade, e ao não cumprimento das promessas feitas pelo atual prefeito Paulo Cezar, durante a campanha: construção de uma trincheira e passarela no local. O protesto durou cerca de duas horas e o engarrafamento chegou a 10 km, segundo a Polícia Rodoviária Federal.

Os moradores prometeram paralisações semelhantes em breve, caso as medidas para a diminuição dos acidentes no local não sejam tomadas.

O prefeito, em depoimento à TV Alterosa, apoiou as manifestações e disse que irá utilizar as imagens do protesto para pressionar os órgãos responsáveis pela liberação da obra, cujo orçamento é de R$ 70 milhões.

Obs: ao contrário do que foi veiculado na TV Alterosa, não houve confusão durante a paralisação, que aconteceu de forma pacífica e organizada. Ao final do protesto, os moradores ouviram o hino nacional em um carro de som. Logo após, um dos organizadores agradeceu a participação dos moradores, que se dispersaram rapidamente. Todos aplaudiram, inclusive os policiais rodoviários.


23
Aug 11

la battaglia di tripoli vissuta e cantata da filippo tommaso marinetti.

Mezzogiorno 3/4 flauti gemiti solleone tumbtumb allarme Gargaresch schiantarsi crepitazione marcia Tintinnío zaini fucili zoccoli chiodi cannoni criniere ruote cassoni ebrei frittelle paniall’olio cantilene bottegucce zaffate lustreggío cispa puzzo cannella muffa flusso e riflusso pepe rissa sudiciume turbine aranci-in-fiore filigrana miseria dadi scacchi carte gelsomino + nocemoscata + rosa arabesco mosaico carogna pungiglioni acciabattío mitragliatrici = ghiaia + risacca + rane Tintinnío zaini fucili cannoni ferraglia atmosfera = piombo + lava + 300 fetori + 50 profumi selciato materasso detriti sterco-di-cavallo carogne flic-flac ammassarsi cammelli asini tumbtuuum cloaca Souk-degli-argentieri dedalo seta azzurro galabieh porpora aranci moucharabieh archi scavalcare biforcazione piazzetta pullulío concería lustrascarpe gandouras burnous formicolío colare trasudare policromía avviluppamento escrescenze fessure tane calcinacci demolizione acido-fenico calce pidocchiume Tintinnío zaini tatatatata zoccoli chiodi cannoni cassoni frustate panno-da-uniforme lezzod’agnelli via-senza-uscita a-sinistra imbuto a-destra quadrivio chiaroscuro bagno-turco fritture muschio giunchiglie fiored’arancio nausea essenza-di-rosa insidia ammoniaca artigli escrementi morsi carne + 1000 mosche frutti secchi carrube ceci pistacchi mandorle regimi-banani datteri tumbtumb caprone cusscuss-ammuffito ? aromi zafferano catrame uovofradicio cane-bagnato.

O autor, aqui.

O texto completo você encontra aqui.

Essa faixa retirei de um cd, que você pode baixar aqui.


11
Jul 11

the world is meaningless.

clique para ampliar.


14
Jun 11

fuck. that. shit.


22
Apr 11

maldade.

“Repito, repito com insistência: todos os homens diretos e de ação são ativos justamente por serem parvos e limitados. Como explicá-lo? Do seguinte modo: em virtude de sua limitada inteligência, tomam as causa mais próximas e secundárias pelas causas primeiras e, deste modo, se convencem mais depresa e facilmente que os demais de haver encontrado o fundamento indiscutível para a sua ação e, então, se acalmam; e isto é de fato o mais importante. Para começar a agir, é preciso, de antemão, estar todo tranquilo e não conservando quaisquer dúvidas. E como é que eu, por exemplo, me tranquilizarei? Onde estão as minhas causas primeiras, em que me apoie? Onde estão os fundamentos? Onde irei buscá-los? Faço exercício mental e, por conseguinte, em mim, cada causa primeira arrasta imediatamente atrás de si outra, ainda anterior, e assim por diante, até o infinito. Tal é, de fato, a essência de toda a consciência, do próprio ato de pensar. E assim chegamos de novo às leis da natureza. E qual é, afinal, o resulado? Exatamente o mesmo. Lembrai-vos: ainda há pouco falei de vingança. (Provavelmente não atentastes nisso.) Já foi dito: o homem se vinga porque acredita que é justo. Quer dizer que ele encontrou sua causa primeira, o fundamento: a justiça. Isto é, ele está tranquilizado por todos os lados, vinga-se calmamente e com êxito, convicto de que pratica uma ação honesta e justa. Mas eu não vejo nisso justia nem qualquer espécie de virtude; se começar a vingar-me, será unicamente por maldade.”

F. Dostoiévski em Memórias do Subsolo


5
Feb 11

e por acaso.

mais Nelson Rodrigues.

“Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.”

Hoje, procurando outros vídeos, encontrei uma entrevista sensacional dele, por Otto Lara Resende. Na sequência, um programete da Rede Manchete, e agora, essa citação. :)

Via.


2
Feb 11

frederico fellini e milo manara.

Eu até pensei em escrever uma descrição aqui, mas acho que é dispensável. A título e a capa já dizem tudo. Ganhei essa ontem, e antes mesmo de ler, já compartilho com vocês. O Fellini é o Fellini, né; e o Manara, com o perdão da pobre rima, é o cara. Aqui, uma resenha. Prefiro ler primeiro a HQ, mas talvez vc queira saber mais sobre. Enfim…

Pra baixar, só clicar (botão direito, salvar destino como…) aqui.

Cortesia do camarada @PixClown.


25
Jan 11

chuck manda a real.

aqui.


16
Jan 11

cristina.

já era tarde. hora de voltar pra casa. todos os meninos estavam felizes, menos cristina, que havia perdido as sandálias em algum lugar do prédio abandonado onde estavam. cristina sabia o que a esperava. sentia medo. como era inevitável, seguiu seu rumo. no caminho, pensava no sermão que levaria dos pais, da avó, dos tios, principalmente da mãe, muito rígida com ela, capaz até de lhe dar uma surra. já no portão de casa, relutou por alguns instantes. frio na barriga. abriu o portão, não viu ninguém. sentiu um certo alívio. entrou rapidamente em casa e pegou outra sandália. ganharia tempo. quando perguntassem pelo outro par, poderia enganá-los dizendo que estavam em algum lugar da casa, que não sabia, que não era culpa dela, etc. perambulou pela casa e não encontrou ninguém. um vizinho que a viu entrar gritou seu nome. ela foi até o portão onde o rapaz a avisou que seus pais tinham saído às pressas, para levar o avô infartado ao hospital – ele a tranquilizou e disse que poderia ficar em casa, que os pais voltariam logo e haviam pedido para que ela permanecesse ali. cristina volta, liga a tevê e espera. cansada, adormece. seus pais nunca voltaram pra casa.


16
Jan 11

a mar.

mineiro quando vê o mar pela primeira vez, fica meio bobo, olha atento, pensa, e depois de calado um bom tempo, afirma: isso não é o mar, isso é amor, é a mar.


15
Jan 11

#1. a song for h/far away.

chovia e ele preferiu ficar ali, sentado à beira da janela, onde sempre gostava de ficar em dias assim. lá fora, ela se atrapalhava com as malas, em meio à lama que se formou no jardim. observava o vai e vem da mudança com certa ternura e pesar. culpava-se pela separação e relembrava todos os momentos que poderiam ter vivido juntos, agora perdidos por causa disso. sentia-se culpado, sim, mas também sentia-se leve. as discussões, brigas, casos, mentiras, separação, e principalmente a dor, em todos aqueles anos, foram um mal necessário. aceitou, reconheceu seus erros, abriu o jogo. o que estava feito, estava feito. aquela altura, não havia mais tempo a perder. o caminhão da mudança se foi. a chuva amainava. o conforto do silêncio fez com que fechasse os olhos por um instante. após alguns minutos, sorriu. ela sentou-se ao seu lado. era bom tê-la de volta outra vez.


28
Dec 10

e fico com essa lembrança.

A cena de um filme chamado “Acaso”, daquele polonês de nome complicado, que tem diversos outros filmes bacanas. Esse conta três pequenas histórias sobre Witek, um jovem de vinte e poucos anos que corre para pegar um trem. Na primeira, consegue; nas demais, perde; as histórias que seguem são desenvolvidas a partir daí.

Na primeira, há um professor, uma espécie de tutor político-intelectual de Witek. No início de uma das suas aulas, fala aos alunos sobre a importância da esperança. Claro, no contexto político em que viviam (Polônia, década de 80). Ele deixa claro sua perda de entusiasmo pela política com o tempo, decepcionado com todos os sonhos que se perderam em sua geração. Fala também sobre diversas outras coisas que constróem uma vida, dos envolvimentos juvenis, da paixão, da esperança que se carrega durante um bom tempo, etc. Finaliza dizendo aos alunos que apesar de parecerem inúteis, sem essas paixões a vida não faria sentido.

A minha descrição fica muito aquém da cena original, lindíssima. Tentei encontrar no youtube, mas a busca foi em vão. Sugiro que procurem e assistam. Talvez fiquem, como eu fiquei, com esse trecho na memória.

;-)


27
Nov 10

as bandas de angeli.

Algumas tirinhas do Angeli que encontrei hoje, durante a faxina. Se não me engano, foram publicas na Revista ZERO (acho que nem existe mais). O título da série é “Todas as bandas de um autor Bunda”. Eu adoro esses desenhos. Resolvi recortar e usar como marcador de livros. E como sou um cara legal, digitalizei todas e disponibilizo aí pra vocês. É só clicar na respectiva tira que o arquivo em alta resolução pra impressão vai aparecer. Imprima numa folha com gramatura bacana, recorte e seja feliz.

Minhas preferidas são Hard Angeli Band e Janga Reggae Band. :-)


27
Sep 10

pulitzer.

“An institution that should always fight for progress and reform, never tolerate injustice or corruption, always fight demogogues of all parties, never belong to any party, always oppose privileged classes and public plunderers, never lack sympathy with the poor, always remain devoted to the public welfare, never be satisfied with merely printing news, always be drastically independent, never be afraid to attack wrong, whether by predatory plutocracy or predatory poverty”

Joseph Pulitzer, May 10, 1883. in “The Proud Highway: Saga of a Desperate Southern Gentleman Vol 1: Hunter S. Thompson, Douglas Brinkley”


27
Sep 10

alone.

“We are all alone, born alone, die alone, and — in spite of True Romance magazines — we shall all someday look back on our lives and see that, in spite of our company, we were alone the whole way. I do not say lonely — at least, not all the time — but essentially, and finally, alone. This is what makes your self-respect so important, and I don’t see how you can respect yourself if you must look in the hearts and minds of others for your happiness.”

Hunter S. Thompson

Tungado daqui.

P.s: Se alguém souber de que livro é este trecho, indique aí, por favor. :)

UPDATE:

E a minha namorada, sempre gentil, procurou e deixou o título aí nos comentários: “O livro é: Proud Highway, The Saga Of A Desperate Southern Gentleman 1955-1967. Primeira edição é de 1998. :)”

Já vou encomendar. =)


26
Sep 10

order in pollock’s chaos.

Uma análise científica da obra de Jackson Pollock, na Scientific American, em inglês.

Pra download, clique na imagem abaixo.

Via @Lz_G


15
Sep 10

deleuze.


20
Jul 10

todas as ilustrações do livro a câmara clara de roland barthes.

Resolvi comprar, resolvi reler, e entre uma e outra resolução, aproveitei e resolvi, também, compilar todas as imagens num post só.


5
Jul 10

essa noite, como em todas as outras, sonhei que estava num labirinto, e diferente de todas as outras, eu consegui escapar.


4
Jul 10

algeria.

A cozinha de um casebre no deserto, um café (um chá?); o horizonte, através da janela, além daquele lugar. Uma mesa, um rádio velho, pequeno, o som abafado; bebo o café olho para o horizonte, para o fim do dia, como se mais nada existiesse além da cozinha, do café, da luz que se esvai e da música, que hipnotiza.

durante a audição deste disco.


28
Jun 10

tristeza ou felicidade, o inferno é, amigo, a eternidade.


17
Jun 10

Then I’m radio and then I’m television
I’m afraid of everyone, I’m afraid of everyone
Lay the young blue bodies, with the old red violets


15
Jun 10

as putas de bolaño.

Publico abaixo a minha humilde participação no Concurso Bolañomania da Cia. das Letras, cujo resultado foi divulgado hoje. Não ganhei o livro, mas fiquei feliz por participar. Gostei do exercício que foi escrever esse texto: pesquisar autor e obra; o limite de dois mil toques; ler, reler e reler, enfim, foi uma experiência bacana. E se não fosse pela ajuda do AM (mestre ninja nesses lances), talvez eu nem tivesse participado. Valeu pela força, camarada!

Pensei em reescrever, mas preferi deixar como está. Talvez faça outro, sobre o livro todo ou sobre um outro conto. Ganhei no fim de semana mais um do Bolaño, “Estrela Distante”, um romance. Quem sabe uma resenha sobre esse? Por enquanto fiquem com esse aí.

*****

O conto “Putas Assassinas” do livro homônimo de Roberto Bolaño é uma mistura de excitação, violência e mistério neste livro do escritor chileno, lançado em 2008 pela Cia. das Letras. Diferente dos demais, este nos apresenta uma narrativa densa e frenética numa estrutura desencadeadora de sensações semelhantes ao da leitura poética. Repleto de metáforas e simbolismos deixamo-nos levar por um caminho obscuro e ao mesmo tempo sedutor.

Max (excitado por desejos existentes no reino do futuro que nunca chegarão) está sentado, amedrontado, diante da puta (experiente, intensa, inclemente) que lhe desfere sem piedade 12 sermões, intercalados por gestos de afirmação, indecisão ou negação de Max: por que ela o escolheu, seduziu, prendeu e o calou; porque ele não a ouviu antes e o que teria feito se tivesse entendido sua mensagem de amor. Durante a leitura, perguntamo-nos: quem ou o quê é Max, e qual sua relação com esta puta misteriosa que o seduz, prende e agora o tortura, apesar da relação intensa que tiveram? Por que se deixou seduzir e abandonou os seus companheiros? Apesar do que é visível – a puta, o jovem, a relação entre eles, digna de um filme pornô barato – o autor deixa ao longo do texto pistas (o príncipe, a princesa, companheiros, a Gran Avenida, o estádio, o castelo, os poetas John Donne e Ovídio – este, censurado e exilado) que constroem um enigma, cuja saída está na própria vida do autor. Ele retrata um período: o golpe de militar no Chile de Salvador Allende; e faz uma crítica a uma classe: escritores, poetas, companheiros de Bolaño que flertaram com o regime. A puta, esta princesa inclemente, detém poderes equivalentes ao de um governo militar de outrora, utilizados para seduzir e calar os inocentes; que não ouvem ou não querem ouvir. Bolaño se vale da subjetividade poética, aliada a elementos autobiográficos em sua prosa para criptografar uma crítica: o retrato de uma relação doentia não somente entre um jovem e uma puta, mas entre um governo e uma classe.


14
Jun 10

fail better.

Encontrei num resto de blog nos confins da internet, seguindo uma trilha feita pelo AM num post recente.

Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.

Beckett