pra ler


20
Jul 10

todas as ilustrações do livro a câmara clara de roland barthes.

Resolvi comprar, resolvi reler, e entre uma e outra resolução, aproveitei e resolvi, também, compilar todas as imagens num post só.


5
Jul 10

essa noite, como em todas as outras, sonhei que estava num labirinto, e diferente de todas as outras, eu consegui escapar.


4
Jul 10

algeria.

Em alguns momentos, me vejo na cozinha de um casebre no deserto, fazendo um café, olhando para o horizonte, através da janela, para além daquele lugar. Na mesa, um rádio velho, pequeno, transmite um som baixo, abafado; eu bebo o café e continuo olhando para o horizonte, para o fim do dia, como se mais nada existiesse além daquela cozinha, daquele café, da luz que se esvai e daquela música, que me hipnotiza.

durante a audição deste disco.


28
Jun 10

tristeza ou felicidade, o inferno é, amigo, a eternidade.


17
Jun 10

Then I’m radio and then I’m television
I’m afraid of everyone, I’m afraid of everyone
Lay the young blue bodies, with the old red violets


15
Jun 10

as putas de bolaño.

Publico abaixo a minha humilde participação no Concurso Bolañomania da Cia. das Letras, cujo resultado foi divulgado hoje. Não ganhei o livro, mas fiquei feliz por participar. Gostei do exercício que foi escrever esse texto: pesquisar autor e obra; o limite de dois mil toques; ler, reler e reler, enfim, foi uma experiência bacana. E se não fosse pela ajuda do AM (mestre ninja nesses lances), talvez eu nem tivesse participado. Valeu pela força, camarada!

Pensei em reescrever, mas preferi deixar como está. Talvez faça outro, sobre o livro todo ou sobre um outro conto. Ganhei no fim de semana mais um do Bolaño, “Estrela Distante”, um romance. Quem sabe uma resenha sobre esse? Por enquanto fiquem com esse aí.

*****

O conto “Putas Assassinas” do livro homônimo de Roberto Bolaño é uma mistura de excitação, violência e mistério neste livro do escritor chileno, lançado em 2008 pela Cia. das Letras. Diferente dos demais, este nos apresenta uma narrativa densa e frenética numa estrutura desencadeadora de sensações semelhantes ao da leitura poética. Repleto de metáforas e simbolismos deixamo-nos levar por um caminho obscuro e ao mesmo tempo sedutor.

Max (excitado por desejos existentes no reino do futuro que nunca chegarão) está sentado, amedrontado, diante da puta (experiente, intensa, inclemente) que lhe desfere sem piedade 12 sermões, intercalados por gestos de afirmação, indecisão ou negação de Max: por que ela o escolheu, seduziu, prendeu e o calou; porque ele não a ouviu antes e o que teria feito se tivesse entendido sua mensagem de amor. Durante a leitura, perguntamo-nos: quem ou o quê é Max, e qual sua relação com esta puta misteriosa que o seduz, prende e agora o tortura, apesar da relação intensa que tiveram? Por que se deixou seduzir e abandonou os seus companheiros? Apesar do que é visível – a puta, o jovem, a relação entre eles, digna de um filme pornô barato – o autor deixa ao longo do texto pistas (o príncipe, a princesa, companheiros, a Gran Avenida, o estádio, o castelo, os poetas John Donne e Ovídio – este, censurado e exilado) que constroem um enigma, cuja saída está na própria vida do autor. Ele retrata um período: o golpe de militar no Chile de Salvador Allende; e faz uma crítica a uma classe: escritores, poetas, companheiros de Bolaño que flertaram com o regime. A puta, esta princesa inclemente, detém poderes equivalentes ao de um governo militar de outrora, utilizados para seduzir e calar os inocentes; que não ouvem ou não querem ouvir. Bolaño se vale da subjetividade poética, aliada a elementos autobiográficos em sua prosa para criptografar uma crítica: o retrato de uma relação doentia não somente entre um jovem e uma puta, mas entre um governo e uma classe.


14
Jun 10

fail better.

Encontrei num resto de blog nos confins da internet, seguindo uma trilha feita pelo AM num post recente.

Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.

Beckett


4
May 10

for the record.

Saí de casa com a analógica. Com tantos filmes em casa, porque usar sempre digital? Fui. Fotografei. Observei variações de luz, formas, cores e disparei com uma atenção toda especial. Fiz umas vinte e poucas fotos durante o dia. Com a digital, teria feito umas duzentas. Fiquei ansioso pra ver o resultado. Ver materializadas no papel todas aquelas imagens que ainda estavam na minha cabeça. Cheguei, deixei o filme no lab e quando voltei, me disseram que não havia nada no filme. Foi uma perda irreparável. Uma tristeza sem fim. No entanto, todas aquelas imagens ainda estão aqui, na minha cabeça. Pena que não posso compartilhar com vcs. Pena.

Saio de casa agora, e mais uma vez, levo a analógica.


13
Apr 10

eldorado, ah, o eldorado.

Órfas do Eldorado, Milton Hatoum. Cia das Letras, 2008.


12
Apr 10

vencer sempre pode ser um inferno.

Às vezes na vida se faz necessário rompimentos com o cotidiano para que possamos ver melhor o sentido do que fazemos, ou a total falta de sentido. A vida se degrada facilmente na rotina de tentar mantê-la funcionando, por isso a derrota, como no livro “Mito de Sísifo” (1942), de Albert Camus, pode ser a condição necessária para a consciência repousar em paz consigo mesma. Vencer sempre pode ser um inferno.

Belo artigo de Luiz Felipe Pondé na Folha de hoje. Vale a leitura. Aqui, ó.


3
Apr 10

li.


30
Mar 10

fora de hora.

Um comentário completamente atrasado, mas…

Tá, eu assisti Guerra ao Terror da ex-mulher do James Cameron e achei beeeem água com açúcar. Depois que eu vi Redacted do Brian de Palma, qualquer filme sobre a guerra no Iraque, pra mim, vai ser água com açúcar. Qualquer um.

Só isso.


23
Mar 10

gino meneghetti

“o empresário é o ladrão sem pressa”

Amleto Gino Meneghetti (1878-1976), a maior celebridade do submundo paulistano em todo o século XX.

Do livro “O mistério das bolas de gude” de Gilberto Dimenstein, 2006.

Conheci a figura através deste livro e numa pesquisa rápida, descobri que a fama de Il Cesare vai mais além. Confira aqui, aqui , aqui e aqui.


13
Mar 10

the catcher in the rye.

Demorei uns 50 anos para criar coragem e ler “O Apanhador no Campo de Centeio” do Salinger. Todo mundo que eu conhecia já tinha lido. Na verdade, quase todo mundo. Eu tenho uma porção de amigos que não leem e nem fazem questão disso. Os que leem, ficavam falando pra eu ler a droga do livro e tudo. Falavam daquela história do cara que matou o outro porque leu o livro. Eu nem ligava. Tem um certo charme em não ler determinados autores e fazer de conta que não tá nem aí. É um negócio meio babaca, eu sei, mas acontece, dependendo da idade que você tem. A gente sempre é meio babaca em algum momento da vida. Tem gente que até se esforça pra continuar assim. Sério. Muitos conseguem. Eu conheço um monte de gente assim. Aí o Salinger morreu. Eu esperei o cara morrer pra ler a droga do livro dele. Mentira. Não esperei nada. E eu nem sabia que ele ainda era vivo quando me recusava a ler ele. E também topei com o livro um bocado de vezes, resolvia comprar e desistia ali mesmo, na livraria. Eu não queria mesmo ler. Aí no dia que ele morreu eu resolvi comprar e ler. Isso não foi nenhuma espécie de homenagem nem nada. O cara morre e você vai lá ler o livro dele. Não, não é isso. Eu não sei o que é. Da mesma forma que eu também nem sabia porque o nome do livro era “O Apanhador no Campo de Centeio” – que é um nome legal pra caramba. Só fui lá e comprei, e li, e gostei. Aí eu tbem descobri o porquê do nome do livro.


28
Feb 10

not even ganesh?.

probably not.

Daqui, ó.

Comprei essa semana “Deus, um delírio”, do Richard Dawkins. A menina da livraria, muito gentil, me ofereceu um marcador de livro com a seguinte citação: “o Senhor nos consola em todas as nossas tribulações (2 Cor., 1, 4).” Mais interessante ainda é que a livraria é especializada em títulos de auto-ajuda, espíritas e religiosos. Talvez o responsável pelas compras da livraria não tenha sacado muito bem do que se trata esse que comprei.


28
Feb 10

epígrafe.

“Não é o bastante ver que um jardim é bonito sem ter que acreditar também que há fadas nele?”
Douglas Adams (1952-2001)

Epígrafe de “Deus, um delírio”, Richard Dawkins, 2006.


26
Feb 10

because of.

Eram umas seis e meia, mais ou menos, não sei, quando pensei “preciso de poesia”. Não tava pensando na poesia literal, daquelas com rima ou métricas, pra ler, que falem de amor ou das gotas-de-chuva-que-caem-numa-noite-fria-e-escura-e-inundam-a-nossa-alma – essas também cumprem sua função, às vezes, muito bem, mas não era isso -, mas sim de algo que pudesse ser apenas admirado, sem esforço algum, entende? Que instigasse sensações, talvez. Transportasse prum outro universo, mais leve, confortável, lúdico. Que pudesse inspirar, não sei. Não sabia. Deixei pra lá. A gente sempre deixa.

Pouco antes de dormir, seis horas depois, encontrei:

They make a secret place
In their busy lives
And they take me there.

Ouça aqui. A letra, traduzida, aqui.

Ladies and gentlemen, good morning – and hats off for The Master.


21
Feb 10

sangue de bairro.

besouro, moderno, ezequiel, candeeiro, seca preta, labadera, azulão, arvoredo, quina-quina, bananeira, sabonente, catingueira, limoeiro, lamparina, mergulhão, corisco! volta-seca, jararaca, cajarana, viriato, gitirana, moita-brava, meia-noite, zabelê.

quando degolaram minha cabeça, passei mais dois minutos vendo meu corpo tremendo,
quando degolaram minha cabeça, passei mais dois minutos vendo meu corpo tremendo,
e não sabia o que fazer.

morrer, viver, morrer, viver!

minha mãe conta que o avô dela tomou uma CARREIRA do Lampião.


10
Feb 10

there was nothing to fear and nothing to doubt.

I jumped in the river and what did i see?

Black-eyed angels swimming with me
A moon full of stars and astral cars
All the figures i used to see
All my lovers were there with me
All my past and futures
And we all went to heaven in a little row boat

There was nothing to fear and nothing to doubt


9
Feb 10

na garganta.

- Ei, pronde é que você vai, cara!
- Embora, ué! Não tá ouvindo pedirem socorro?
- Claro que tou, por isso mesmo que tou perguntando PRA ONDE É que você vai!
- Ahhhhh, tem dó. Não tem mais nada aqui. Vou procurar quem tá pedindo socorro pra ajudar.
- Tá, então continua.
- Ih, pararam de pedir socorro.
- Não pararam não! Volta lá onde que vc tava.
- Óh, a voz de novo.
- Te falei.
- Cara, não tem mais nada aqui.
- Claro que tem, presta atenção que você encontra.
- Ah, desisto.
- Velho, na garganta! Entra na garganta!
- Tá louco?!
- Vai lá.
- CARALHO. Que doideira!!!!


6
Feb 10

arpejo.

substantivo masculino
Rubrica: música.
acorde em que as notas são tocadas em modulação continuada ou sequente.

v. Weird fishes / Arpeggi


18
Dec 09

Utilidade pública

Eis um excelente GUIA, senhoras e senhores.


28
Nov 09

Expressividade digital

Yes!

Expressividade digital

Disponibilizei meu trabalho de conclusão de curso, num blog paralelo à esse. Pra conferir nossos estudos e análises sobre o comportamento ddo hiperconsumidor, conexões simbólicas e etceteras, clica aqui.

Vai na fé. Vale a pena.

Pra mim, valeu! :)


5
Nov 09

Bom sinal

Hoje na ida pro trabalho rolou uma parada DEVERAS interessante.

Como de PRAXE, pego o BUS para o trabalho as sete e meia da manhã. Hoje, diferentemente dos demais DAYS OF MY LIFE, ele estava abarrotado. Alguns lugares vazios na frente e no corredor.

Prefiro as janelas.

Prossegui com a minha saga em encontrar uma vaga confortável. Pior que vaga de estacionamento, é encontrar vaga em ônibus lotado. Enfim, ao fim do corredor, descobri que aquele era o FIM DO CORREDOR.

Havia, então, um espaço entre uma jovem senhora, seu pimpolho e uma moça gordinha. A mocinha (mistura de moça com gordinha, neste contexto) lia um livro espírita ou similar. Quando estacionei ao seu lado, ela guardou sua espiritualidade na bolsa.

(Havia mais um espaço. Na verdade eram CINCO lugares, três pessoas e um garoto, que, muito sapeca, ocupava DOIS deles com seu imenso CHASSI DE GRILO.)

Me senti ACANHADO, um pouco pela ausência de espaço, um pouco pelo fato que EU seria um incômodo.

Eu acabava de matar uma GUIMBA de paiêro pouco antes de me ADENTRAR no carro. ENTONCES, todos sabem que CATINGA de cigarro é foda. (paiêro = CATINGAx10)

(Sempre me incomodo com a possibilidade de que eu posso incomodar alguém. Gosto disso.)

No chacoalhar caracteristico das traseiras dos BUSES (similar a um ass shacking) seguimos viagem. Me transportei pralgum universo paralelo, com a ajuda do meu inseparável MP4. Fones, música. Enfim, paraíso.

Primeira parada: rodoviária. Embarcaram senhores. Um deles numa vibe USAINBOLTIANA de fazer inveja a qualquer RUNNER afro-descendente. Com toda a sabedoria de um MATUSALÉM contemporâneo, aproveitou a condição estática do veículo em questão, para realizar sua performance e evitar possíveis quedas.

O segundo senhor, a la dança da cadeira, pegou o primeiro lugar que viu. O terceiro, tomou de assalto o que era ocupado pela metade gigantesca do CHASSI DE GRILO – pimpolho muito sapeca, filho da jovem senhora introduzida aqui interiormente.

Rolou um OPA entre as partes. Eu e vovô.

No gostoso ASS SHACKING automotivo, seguimos viagem. Chassi, jovem senhora, vovô, eu e a gordinha com sua espiritualidade ENCLAUSURADA.

Na PRAXIS do transporte coletivo, rola uma pequeno campeonato para ver quem desce primeiro. Um empurra-empurra divertido, uma avalanche de gentilezas.

Com alguns lugares disponíveis, o vovô do OPA resmungou algumas coisas e tentou se ALOCAR numa posição geograficamente mais confortável. Levantou-se e foi em direção à terceira fila de cadeiras. Uma TIA DIRETORA de uma escola local, tomou a frente do vovô e sentou-se.

Percebi pitadas de INDIGNAÇÃO e ÓDIO nos olhos daquele homem.

Ainda de pé, ao lado do seu objetivo e eis que a TIA diretora OBSTRUI a passagem de nosso quase herói.

Vencendo todos os seus demônios, abaixou a cabeça e voltou à ESTACA ZERO.

Eis que senta, e me diz: “Só me restou voltar pra cá. Esse povo não liga pra velho mesmo. A gente é muito excluído, sabe?”. Respondi, compartilhando alguns de seus demônios, numa furiosa e explosiva raiva: “É, sei.” E ele: “Mas, quer saber? Nâo ligo. Ainda to muito esperto, ando pra todo lado. To com 75 e ainda por cima criei 10 filhos.” Eu: “Uai, nem parece! Tá bem, hein!!!” Ele: “Sabe o que eu mais me orgulho nisso tudo?” Eu: “Não.” Ele: “Criei 10 filhos, e nenhum deles NUNCA FUMOU!”. Eu: “Pois é, isso é muito bão!”

Depois disso ele ainda contou algumas histórias. Nada relevante.

Chegamos ao local de APEIO do nosso quase herói, quando ele se levantou e disse: “DEZ FILHOS e nenhum deles fuma e NUNCA FUMOU!”

Pensei nisso a viagem toda.

Acho que isso é um sinal, pensei.

É um sinal.

Desci.


4
Nov 09

Elmore RULES

para escrever um romance, ou, o que quer que seja.

1. Nunca comece um livro falando sobre o tempo.
2. Evite prólogos.
3. Nunca use nenhum verbo para carregar o diálogo que não seja “dizer” (tipo, “ele disse” em vez de “ele justificou”, “afirmou”, “disparou” etc.)
4. Nunca use um advérbio junto com “disse” (como em “disse ele seriamente”).
5. Mantenha seus pontos de exclamação sobre controle.
6. Nunca use as palavras “suddenly” ou “all hell broke loose”.
7. Use pouco gírias e dialetos regionais.
8. Evite descrições detalhadas de personagens.
9. Não detalhe muito coisas e lugares.
10. Tente deixar de fora a parte que os leitores tendem a pular.

e uma de brinde.

“Se soa como algo escrito, eu reescrevo. E se a gramática está atrapalhando, passe por cima dela. Não posso permitir que o que aprendi na escola atrapalhe o som e o ritmo da narrativa. É minha tentativa de permanecer invisível e não distrair o leitor da história com um texto óbvio. Como dizia Joseph Conrad,  as palavras não podem bloquear o que você tem a dizer”.

Daqui, ó.