pra pensar


2
Oct 11

voyeurismo e exibicionismo.

ENTRE 1971 E 1979, o fotógrafo japonês Kohei Yoshiyuki fotografou a atividade noturna em três parques de Tóquio: Shinjuku, Yoyogi e Ayoama. As fotos mais perturbadoras expõem casais heterossexuais entrelaçados em encontros furtivos, jogados na grama ou atrás de arbustos, enquanto uma matilha de voyeurs os espreita e cerca, como hienas ao redor de animais feridos, aguardando o melhor momento para o ataque.

O trecho acima retirei do ensaio “Fome de ver” de Bernardo Carvalho, sobre voyeurismo e exibicionismo, publicado na Ilustríssima e disponível aqui.

A série completa você pode ver aqui.

O ensaio e a série de imagens foram publicadas na Zum – Revista de Fotografia do IMS. Leia mais sobre aqui.


17
Jun 11

sempre.


14
Jun 11

there is nothing.


14
Jun 11

out there.


14
Jun 11

fuck. that. shit.


14
Jun 11

*


22
Apr 11

maldade.

“Repito, repito com insistência: todos os homens diretos e de ação são ativos justamente por serem parvos e limitados. Como explicá-lo? Do seguinte modo: em virtude de sua limitada inteligência, tomam as causa mais próximas e secundárias pelas causas primeiras e, deste modo, se convencem mais depresa e facilmente que os demais de haver encontrado o fundamento indiscutível para a sua ação e, então, se acalmam; e isto é de fato o mais importante. Para começar a agir, é preciso, de antemão, estar todo tranquilo e não conservando quaisquer dúvidas. E como é que eu, por exemplo, me tranquilizarei? Onde estão as minhas causas primeiras, em que me apoie? Onde estão os fundamentos? Onde irei buscá-los? Faço exercício mental e, por conseguinte, em mim, cada causa primeira arrasta imediatamente atrás de si outra, ainda anterior, e assim por diante, até o infinito. Tal é, de fato, a essência de toda a consciência, do próprio ato de pensar. E assim chegamos de novo às leis da natureza. E qual é, afinal, o resulado? Exatamente o mesmo. Lembrai-vos: ainda há pouco falei de vingança. (Provavelmente não atentastes nisso.) Já foi dito: o homem se vinga porque acredita que é justo. Quer dizer que ele encontrou sua causa primeira, o fundamento: a justiça. Isto é, ele está tranquilizado por todos os lados, vinga-se calmamente e com êxito, convicto de que pratica uma ação honesta e justa. Mas eu não vejo nisso justia nem qualquer espécie de virtude; se começar a vingar-me, será unicamente por maldade.”

F. Dostoiévski em Memórias do Subsolo


13
Apr 11

nine types of light | the movie.

Um discaço online para ouvir e assistir.


Nine Types of Light is as much an album as it is a movie by TV on the Radio. The movie is meant to be a visual re-imagining of the record, and includes a music video for every song on the album. The band personally asked their friends and the filmmakers they admired to help direct the music videos. Tunde Adebimpe, the director for the full Nine Types of Light movie, storybooked the music videos together with interviews from local New Yorkers on various topics, including dreams, love, fame and the future. Tunde also directed the music video for Forgotten. Nine Types of Light, both the album and the movie are set to release on April 12, 2011.


11
Feb 11

mesmerizing.

#arte


5
Feb 11

e por acaso.

mais Nelson Rodrigues.

“Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.”

Hoje, procurando outros vídeos, encontrei uma entrevista sensacional dele, por Otto Lara Resende. Na sequência, um programete da Rede Manchete, e agora, essa citação. :)

Via.


5
Feb 11

merz.

Usonate, Kurt Schwitters. 1922-1932.

E aqui, trecho de uma versão do mesmo poema, interpretado em 2005 por Jaap Blonk. A performance do poema de Kurt Schwitters é potencializada por um telão, que dispara as legendas, de diversas formas, formatos e direções, em tempo real, através de um sistema de reconhecimento de voz, revelando assim outras dimensões da estrutura do poema.

Alguns poemas de Kurt.


4
Feb 11

poemes phonetiques, historische lautgedichte (1918).

Raoul Hausmann


21
Jan 11

the trip 1973 a.k.a travel.

Uma jovem embarca numa viagem metafísica surreal, através da qual aprenderá a dor e alegria de viver.

Não conhecia o diretor. E ainda não conheço, claro, só vi esta animação. Gostei. Gostei da forma como foi produzido, da simplicidade, das imagens, e do tema – simpatizo com estes lances orientais, mas só em dias úteis. Ainda preciso assistir mais algumas vezes pra assimilar esse monte de símbolos, imagens, etecetera e tal. Quando o vídeo terminou, fui ler a descrição e resolvi traduzir – nas coxas – pra compartilhar com vcs. Não diz muito, mas talvez ajude.

E antes que eu me esqueça, encontrei esta pérola no sensacional e indispensável Coisas do Arco da Velha.

Segue aí o trechinho que está na descrição do vídeo:

De uma entrevista com o autor Kihachiro Kawamoto:

Muitos dizem “eu não entendo isso!”, mas eu sei muito bem o que isso significa. Na primavera de 1968, a URSS invadiu Praga e matou um monte de tchecos. O filme é sobre o Sofrimento da Vida.

Buda diz que a vida é sofrimento, e há quatro sofrimentos básicos: nascimento, doença, envelhecimento e morte. Estes são os quatro maiores sofrimentos na vida de alguém. Além destes, há ainda mais quatro sofrimentos de que Buda fala: conhecer pessoas irritantes, ser separado das pessoas que você ama, não conseguir o que você deseja, e ainda os sofrimentos do corpo e da mente. A fim de se livrar dos sofrimentos, é preciso atingir um estado de “satori” ou iluminação. Este é o tema de “The Trip”/”Travel”.

Todos os oito elementos estão contidos no filme. A protagonista se pergunta se o homem indiano que ela encontra pode ser seu amante de uma vida anterior. Há uma cena em que ela deixa cair uma estátua que está segurando.


28
Dec 10

e fico com essa lembrança.

A cena de um filme chamado “Acaso”, daquele polonês de nome complicado, que tem diversos outros filmes bacanas. Esse conta três pequenas histórias sobre Witek, um jovem de vinte e poucos anos que corre para pegar um trem. Na primeira, consegue; nas demais, perde; as histórias que seguem são desenvolvidas a partir daí.

Na primeira, há um professor, uma espécie de tutor político-intelectual de Witek. No início de uma das suas aulas, fala aos alunos sobre a importância da esperança. Claro, no contexto político em que viviam (Polônia, década de 80). Ele deixa claro sua perda de entusiasmo pela política com o tempo, decepcionado com todos os sonhos que se perderam em sua geração. Fala também sobre diversas outras coisas que constróem uma vida, dos envolvimentos juvenis, da paixão, da esperança que se carrega durante um bom tempo, etc. Finaliza dizendo aos alunos que apesar de parecerem inúteis, sem essas paixões a vida não faria sentido.

A minha descrição fica muito aquém da cena original, lindíssima. Tentei encontrar no youtube, mas a busca foi em vão. Sugiro que procurem e assistam. Talvez fiquem, como eu fiquei, com esse trecho na memória.

;-)


28
Dec 10

“propaganda não é arte, é artilharia”.

Em uma confluência dos universos das artes, comunicação, tecnologia e política, surgem teorias e ações de ativistas influenciados pela cultura pós-moderna. Uma pergunta é comum entre esses outsiders: como resistir? O vídeo “Compre-me: eu, vontade de morrer” constitui uma abordagem sobre a questão da resistência ao poder e à sociedade de consumo e controle.

Direção, produção, edição e montagem: Pedro Bayeux.
Realização: Núcleo Gonzo Anarchos e PUC-SP.
Copyleft 2003 / Brasil / Aprox.27min

Download (148Mb)

“o ato de resistência possui duas faces.
Ele é humano e é também um ato artístico.
Somente o ato de resistência resiste à morte,
seja sob a forma de uma obra de arte,
seja sob a forma de uma luta dos homens.”
Gilles Deleuze.

A Arte-Sabotagem é o lado negro do
terrorismo poético – criação através da destruição -,
mas não pode servir a nenhum partido ou niilismo,
nem mesmo a própria arte.
Hakim Bey

A Arte-Sabotagem não é propaganda,
mas choque estético: ação como metáfora.
Hakim Bey

continue por aqui


21
Nov 10

“a fotografia é quase que uma cachaça”.

Sobre o trabalho dos fotógrafos ambulantes no nordeste do Brasil. Impressiona a paixão e dedicação destes caras com a fotografia. Fique ligado no depoimento do fotógrafo lambe-lambe, Chico Alagoano. Emocionante. :-)

Câmara Viajante from Leonardo Pinto Silva on Vimeo.


29
Sep 10

sal grosso.

Curta-metragem de 2005, dirigido por André Amparo e Ana Cristina Murta.


27
Sep 10

pulitzer.

“An institution that should always fight for progress and reform, never tolerate injustice or corruption, always fight demogogues of all parties, never belong to any party, always oppose privileged classes and public plunderers, never lack sympathy with the poor, always remain devoted to the public welfare, never be satisfied with merely printing news, always be drastically independent, never be afraid to attack wrong, whether by predatory plutocracy or predatory poverty”

Joseph Pulitzer, May 10, 1883. in “The Proud Highway: Saga of a Desperate Southern Gentleman Vol 1: Hunter S. Thompson, Douglas Brinkley”


27
Sep 10

será?.


27
Sep 10

alone.

“We are all alone, born alone, die alone, and — in spite of True Romance magazines — we shall all someday look back on our lives and see that, in spite of our company, we were alone the whole way. I do not say lonely — at least, not all the time — but essentially, and finally, alone. This is what makes your self-respect so important, and I don’t see how you can respect yourself if you must look in the hearts and minds of others for your happiness.”

Hunter S. Thompson

Tungado daqui.

P.s: Se alguém souber de que livro é este trecho, indique aí, por favor. :)

UPDATE:

E a minha namorada, sempre gentil, procurou e deixou o título aí nos comentários: “O livro é: Proud Highway, The Saga Of A Desperate Southern Gentleman 1955-1967. Primeira edição é de 1998. :)”

Já vou encomendar. =)


26
Sep 10

words of wisdom.

Sábias palavras para um domingo como este.

Via visions & revisions


22
Sep 10

acreditem.


19
Sep 10

rabbits, david lynch | download.

Depois deste post sobre o Interview Project do Lynch, troquei algumas mensagens com a Ana e indiquei a série Rabbits, linkada no mesmo post. Ela me alertou que os links não estavam mais disponíveis no youtube. Pena. No entanto, durante uma correria pela web, descobri a série completa pra download.

Para ser feliz e curtir essa maravilha, só clicar aqui e baixar a parada. E para ler sobre, confere esse post que fiz, aqui.


15
Sep 10

deleuze.


9
Sep 10

um recado, uma trova e um desabafo.

Desorganizar, limpar e reorganizar estantes de livros é uma tarefa que me agrada muito. Rever os lidos, reler alguns trechos, separá-los de acordo com os mais variados parâmetros, encontrar anotações, marcações de página e, ainda, pedaços de papel, das mais variadas espécies, que fizeram as vezes de marcador durante a leitura. Esses resquícios fazem determinado sentido, quando o livro teve como único dono, você, que o comprou durante um passeio por uma livraria qualquer, por acaso; pela internet, para uma pesquisa ou estudo; ganhou de presente, talvez. Neste caso, só existe uma história, daquele exemplar com você. O mesmo não acontece quando você adquire um livro em um sebo, ou ele passa por várias e várias estantes até chegar a sua.

Durante minha última faxina, encontrei e separei um Programa de Sociologia. Livro para docentes. A edição é de 1942. Não lembro se comprei num sebo ou se peguei emprestado com algum amigo. Enfim, depois de tudo limpo e organizado, fui folhear o livro e encontrei algumas pérolas perdidas. Primeiro, um bilhete entre amigas, algumas páginas depois, uma trovinha política, e mais algumas páginas, um desabafo de um mestre, num conflito ideológico com um aluno.

As imagens seguem abaixo e logo depois do bilhete e a transcrição, deixo algumas perguntas, que me fiz e faço quando encontro coisas assim:

Eliza,

Bonjour,

Dea telefonou, quem atendeu foi o Seu José, ela disse que a prova (não sei se é de psicologia, porque ele não entendeu, mas você deve saber qual é) será feita as 11 horas.

Disse que se você não for, perderá a prova. Desculpe-me a letra, porque eu vim procurar o portador deste, e como aqui não se tem mesa, estou escrevendo no colo.

Felicidades,

Neuza.

Quem é Eliza França? – (sobrenome na capa do livro). E sua amiga Neuza? Eliza fez a prova, ou se atrasou e perdeu? E Dea (Andréa?), é tbem amiga, ou professora? Eliza viu o bilhete. Porque o guardou em seu livro durante todo esse tempo? Esse “bonjour” no bilhete, era uma intimidade, uma particularidade entre as duas, ou era algo comum entre alunos deste curso, ou desta época? O curso era Sociologia? Se sim, onde, e em qual universidade/faculdade? E o Seu José? É pai, amigo ou colega de trabalho de alguma das meninas? A prova era mesmo de psicologia? – Seu José não entendeu direito. E o recorte com o artigo do professor Altivo, ele era também professor destas duas amigas? Vê-se que há uma ligação entre Eliza e o ex-aluno citado pelo professor Altivo, Rui França. Este era irmão, pai, tio, primo? Porque ela guardou este recorte? Para entregar a Rui? Qual foi realmente o conflito entre ex-aluno e mestre? A trovinha política nos dá uma pista de qual seria o ano em que tudo isso aconteceu: 1962. E quem é o tal amigo, que colaborou com esta trova? Rui foi eleito? E Totonho?

Perguntas, perguntas, perguntas….

UPDATE:
E vejam só, com a ajuda do @pedroflora descobri no site da Câmara de Divinópolis que o Totonho se deu bem com a trovinha. Já o Rui não conseguiu, quem ganhou a eleição foi Sebastião Gomes Guimarães.