E você, esperava o quê?
Dica do Jonathas, por e-mail.
Epígrafe de “Deus, um delírio”, Richard Dawkins, 2006.
Eram umas seis e meia, mais ou menos, não sei, quando pensei “preciso de poesia”. Não tava pensando na poesia literal, daquelas com rima ou métricas, pra ler, que falem de amor ou das gotas-de-chuva-que-caem-numa-noite-fria-e-escura-e-inundam-a-nossa-alma – essas também cumprem sua função, às vezes, muito bem, mas não era isso -, mas sim de algo que pudesse ser apenas admirado, sem esforço algum, entende? Que instigasse sensações, talvez. Transportasse prum outro universo, mais leve, confortável, lúdico. Que pudesse inspirar, não sei. Não sabia. Deixei pra lá. A gente sempre deixa.
Pouco antes de dormir, seis horas depois, encontrei:
Ouça aqui. A letra, traduzida, aqui.
Ladies and gentlemen, good morning – and hats off for The Master.
@renedepaula, about 5 hours ago, from sobees, in reply to @fseixas.
Boa observação. Há séculos tou querendo reler Huxley. Chegou a hora. Vou comprar agora.
E isso tbem se encaixa como uma luva naquilo que postei aqui dias atrás, sobre a Revolução dos Idiotas, do Nelson Rodrigues.
de Nelson Rodrigues. “Documento Especial”, Rede Manchete, 1992.
Deu até vontade de reler os livros – e a biografia – dele.
Gênio.
Esse “plano global pra imbecilizar as pessoas” que o Betinho comenta aí, é nítido hoje. Como disse Huxley num de seus livros, a melhor forma de totalitarismo é fazer com que as pessoas amem a servidão. Tarefa fácil, num mundo onde todos celebram a felicidade, o “não pensar”, os prazeres rápidos, e por aí vai. A internet então, potencializou esse aspecto. Por que gastar meu tempo para aprender ou me informar, se eu tenho uma infinidade de vídeos divertidinhos e piadas sacais que vão anestesiar meu cérebro?
Vou ainda mais longe. A civilização contemporânea nivela as classes através de bens de consumo. Baudrillard em “Sociedade de Consumo”, cria (ou cita) um termo chamado “Democracia do Bem-Estar”, que é a facilitação do acesso à bens antes restritos a camadas mais abastadas. Esta divisão não mais se orienta por fatores de parentesco ou sanguíneos, mas, sim, pelo acesso a bens de consumo. Pra completar o raciocínio, há ainda no doc “Arquitetura da Destruição” – que analisa toda a ideologia Nacional Socialista da Alemanha de Hitler – um ponto que encaixa nesse pensamento. A artimanha usada para anular a tal “luta de classes” é colocar o trabalhador no mesmo nível estético do burguês. Assim, ele percebe que não tem porque lutar ou se insatisfazer com sua condição.
Acesso fácil a bens de consumo e nível estético similar aos dos ricos e – referência hoje – famosos, informação fácil, rápida e anestesiante. Até parece que estamos falando dos dias de hoje, né mesmo?
Pra finalizar: Queria ver se a tevê, hoje, levaria ao ar um programa assim.
Vi aqui.
é um documentário/animação israelense, de 2008, dirigido por Ari Folman. Venceu o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. Nascida de uma HQ, escrita pela próprio Folman, conta com ilustrações de David Polanski, diretor de arte do filme. Descobri que foi lançado no Brasil em março de 2009, pela editora LP&M.

A história começa em um bar, onde um velho amigo dos tempos da Guerra do Líbano, conta ao diretor um estranho sonho, onde é perseguido por 26 cães, que foram mortor por ele em combate, numa missão. Folman fica surpresso ao descobrir que aquele período quase desapareceu de suas memórias. Começa aí sua busca por velhos amigos de guerra. Durante uma série de entrevistas, tenta entender os acontecimentos daquele período.
Encontrei hoje, por acaso. Denso psicologicamente e com imagens por vezes sutis, em outras, bem pesadas. O filme se divide entre os momentos das entrevistas e as lembranças, que são tratadas numa atmosfera visual diferente, em tons de amarelo, com algumas viagens dos soldados. Talvez entorpecidos pra suportar a dor de estar numa guerra, ou talvez por simples loucura de se estar lá. A abertura é de uma beleza plástica fenomenal.

O tema principal no filme é mostrar como foi a participação do Estado de Israel no combate com o Líbano. Em alguns momentos, há comparações com os crimes cometidos pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, com o extermínio de civis.

Há, neste filme, uma semelhança clara com outro filme. Redacted de Brian de Palma, 2007, termina com uma série de imagens e gravações dos massacres cometidos no Iraque durante a invasão de 2003. Em Valsa com Bashir ocorre o mesmo. As imagens são de doer a alma.
O trailer você confere aqui, e se tiver afim do download, clica aqui.
É de uma beleza triste, mas como cinema, vale a sessão.
em um dia qualquer:
Quando as pessoas sabem para onde ir, elas caminham; quando não sabem, correm.
“Há fortes indicações de que estamos a ponto de criar um tipo de sociedade em que ficará quase impossível ter um pensamento com mais do que alguns centímetros de extensão.”
Thomas Hylland Eriksen, Tyranny of the Moment: Fast and Slow Time in the Information Age, (2001), p. 2 e 3.
O horário de verão é uma faca de dois gumes.
Por um lado, eu suo como um porco na minha longa jornada de 3kms, a pé, na volta pra casa, entre as 17 e 17h30.
Por outro, posso admirar as nuances crepusculares pela janela da van, entre as 18 e 19hrs, durante os 45 kms que estão entre o aconchego do lar e o ócio acadêmico que reina no último período do curso.
Eu nunca vi um porco suar, mas a expressão é interessante.
Enfim, eu gosto do horário de verão.
A ausência de atividades acadêmicas tem sido presente nestes últimos meses.
Fico feliz por dois motivos:
1) gastar mais energia com questões realmente importantes para a minha existência.
2) ler e escrever.
4) pensar no que fazer.
8) fazer.
Yep. Apesar de listar 5 itens, apenas dois deles realmente me deixam feliz.
Adivinhe quais são aí :)
Epsar da pequena introdução, este é um post que tem como único objetivo testar a tag blink. Descobri recentente e confesso, ri como nunca. Pensei: vou escrever alguma coisa no blog dentro desta tag, rah!
Pode parecer idiota. Mas sim, eu ri.
Ainda no lance “coisas simples são a maneira mais fácil de mudar o comportamento das pessoas”, daquele post sobre a Volks.
Domingo à tarde, seleção brasileira em campo, tudo muito bom, tudo muito bem. Começa a anoitecer e pá, acaba a energia e metade do meu bairro fica no breu total. Em menos de 5 minutos, percebi as ruas mais movimentadas, pessoal na porta de casa, vizinhos se encontrando e trocando idéias e aquelas famosas brincadeiras com bombril pegando fogo, etc.
Sempre observei isso nessas ocasiões, e penso que muita gente tbem, claro, se morar numa cidade do interior. Acho. Aí a energia volta. Todo mundo fica feliz. Voltam pras suas casas. É a vida enclausurada novamente.
Deviam realizar bleucautes programados em determinadas regiões, pra incentivar o contato, as conversas.
Fui ler uma nota no Techcrunch, site gringo sobre tecnologia e web e me surpreendi com banners da TIM, em pt-br. Realmente achei muito legal esse lance. Ingenuidade minha, eu sei. Hoje por reconhecimento de ip, pode-se inserir anúncios direcionados à determinada região e tals. Mas, visito alguns sites da gringa com frequência e nunca tinha visto algo assim. A campanha, tudo a ver: “A TIM tem a maior cobertura no exterior com mais de 200 países “.
Vá onde der na cabeça. A TIM está lá.
E estava.
Encontrei via @conector, um post com o lançamento de uma campanha para o Colégio Anchieta, planejada pela Agência Escala. O post completo sobre a campanha e as várias versões do vídeo você encontra aqui.
Show, né?
A facilidade com que se obtém informação hoje é monstruosa. Qualquer um, em qualuer lugar com acesso a internet pode se transformar em especialista em qualquer coisa. Mas há uma grande diferença entre informação e conhecimento.
No caso do vídeo do Colégio Anchieta, o candidato se daria bem se estivesse bem informado sobre o que tem acontecido no mercado? Talvez. Mas se daria muito melhor se além de bem informado, ele conseguisse relacionar tudo isso e trazer à tona um olhar que surpreenderia o tiozinho.
Questionamentos interessantes estes do Carlos Maltz. Nunca tinha lido o cara, ou o blog, mas tenho lido alguns dos autores citados (Baumann, Lipovetsky) , e o Huxley fez parte da minha formação.
O mesmo sistema capaz de suprir ou satisfazer nossos desejos, é o mesmo responsável pelas nossas maiores frustrações. A imensa quantidade de opções e a percepção de que a busca é infinita, gera um vazio e uma sensação de correr, não se sabe pra onde.
Pra onde diabos estamos indo? Ou, o que estamos nos tornando?
Leia. Pare. Pense.
E aí?
Poucas coisas neste mundo conseguem abalar meu ceticismo.
Carla Bruni cantando “Those Little Things (Ces Petits Riens)”, de Gainsbourg, por exemplo, me fez refletir sobre a existência de Deus. Talvez ele, ou ela, exista. Talvez. Talvez seja ele, ou ela, o responsável por algo tão belo, ou ainda, talvez, esta apresentação abaixo seja a prova definitiva de sua existência. Talvez.
Talvez.
No, nothing, but the best, was not enought for you
Foi o suficiente, Carla.
Estou, neste momento, no meio de uma pesquisa para o nosso TCC. A sigla é de “Trabalho de Conclusão de Curso”, e o “nosso” diz respeito a mim, André Carvalho e Matheus Salviano. Tamos no último período do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Pitágoras de Divinópolis.
Situados os atores e o contexto, vamos ao trabalho: Expressividade sensorial da marca. Além das estratégias de MKT, Comunicação, Experiência (esta, como elemento essencial na conquista de consumidores) e comportamento de consumo contemporâneo, vamos analisar como as marcas se tornaram (se tornam) referências de desejos nestes novos ambientes. E, também, como elas usam todos estes elementos sensoriais em suas ações de comunicação.
Um dos estudos de caso será o da Absolut Vodka.
Ainda tou no meio da pesquisa, mas já tive uma prévia bacana do que vou encontrar. Estes dois vídeos são de arrepiar. O primeiro, muito mais que o segundo, mas os dois igualmente originais e de acordo com os nossos estudos.
A busca por bem-estar e novos modos de vida. Uma nova visão do mundo.
Um mundo Absoluto.
Artistas, diversos lugares do mundo e uma FILOSOFIA. Do caralho.
In an Absolut World, doing thing differently
E abaixo, um desejo comum à todos aqueles que vivem a correria e falta de tempo atuais. Eu já pensei nisso. E aposto que vc tbem. Num mundo Absoluto, perfeito.
In an Absolut World, Paper Would Not be the Only Thing We Could Copy in a Copy Machine.
Apesar do individualismo crescente, como característica principal desta nova massa de consumidores, a busca por comunhão das experiências individuais também é outro aspecto.
Parece paradoxal. Na verdade, é. Mas a percepção, a experiência, mesmo compartilhadas, sempre serão individuais. Complexo a primeira vista, mas é uma característica que pode ser explorada, e é muito bem realizada pela Absolut, como no vídeo abaixo.
Absolut Moon
Lembro de alguém nos dizer em sala que seria impossível conhecer o comportamento de consumo de forma definitiva. Óbvio. Concordo. Talvez na apresentação do projeto não tenha ficado clara a proposta. Enfim, o que quero dizer é que, a partir da pesquisa e da descoberta de certos desejos (nem sempre associados ao consumo) pode-se realizar campanhas relacionadas à desejos mil, infinitos. São desejos banais, explorados de forma lúdica, divertida. Isso cria uma relação de cumplicidade com o consumidor. O “pensar” como ele “pensa”. Sincronicidade de idéias. As pessoas se relacionam umas com as outras, também, por isso. Se uma marca consegue isso…
Saca só esse.
In an Absolut World, We Could Downsize When Necessary.
A exploração dos elementos sensoriais (visão, audição, tato, olfato e paladar) não está ligada somente ao ato de consumir. Aquele momento em que vc chega na gôndola e sente o produto, o design, a textura, o cheiro. Estes elementos são importantíssimos e fazem parte sim do processo. Mas, o que se vê nas campanhas da Absolut (nesta, especificamente) é a incitação da busca por experiências, como o toque. Um beijo, um abraço, um sorriso.
É uma prática não muito recente. A marca se torna o suporte através do qual eu vou buscar uma nova experiência.
“Num Mundo Absoluto, a moeda corrente será trocada por gentilezas”
In An Absolut World, Currency will be replaced with acts of kindness – International 60 sec
Por enquanto é só. Depois volto com mais.
Ah, recomendo a visita ao site da Absolut. Bonitão e com conteúdo show.
Té
Escrever num blog, no começo, é como escrever uma pequena carta e deixá-la no banco da praça, ou numa mesa de boteco à espera de que alguém leia e deixe resposta. Pode tbem ser como enviar uma mensagem a um conhecido e este deixá-la ali mesmo onde a recebeu, à mercê de qualquer leitor.
Meio estranho, às vezes. Escrever sem saber se alguém lê, ou leu.
Mas é massa.